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4. Sobre os Decretos de Deus

4. Sobre os Decretos de Deus

1. Os Decretos de Deus são os atos de Deus para fora (ad extra), embora internos e, portanto, feitos pela livre vontade de Deus, sem qualquer necessidade absoluta. No entanto, um Decreto parece requerer a suposição de um outro, em razão de uma certa condescendência de equidade; como o Decreto concernente a criação de uma criatura racional, e o decreto concernente a salvação ou condenação [dessa criatura] sob a condição de obediência ou desobediência. A ação da criatura também, quando considerada por Deus desde a eternidade, pode ser algumas vezes a ocasião, e outras vezes a causa motora* (προκαταρκτικὴ) externa de criar algum decreto; e isto de tal forma que sem tal ação [da criatura] o decreto não seria criado e nem poderia ser criado.

2. Pergunta - Por acaso, pode a ação de uma criatura impor uma necessidade em Deus de criar algum decreto, e realmente um decreto de um tipo particular e nenhum outro, - e isso não só segundo alguma ação a ser executada em relação a criatura e sua ação, mas também segundo o modo pelo qual a ação é realizada?

3. Uma e a mesma é em número a volição pela qual Deus determina algo e decide fazê-lo ou permiti-lo, e pela qual Ele faz ou permite cada coisa que decretou.

4. Acerca de um único e mesmo objeto, uniformemente considerado, não pode haver dois decretos de Deus, ou duas volições, seja na realidade, ou segundo qualquer aparência contrária - como querer salvar o homem sob alguma condição, porém precisamente e absolutamente querer o condenar.

5. Um decreto por si só não impõe nenhuma necessidade em qualquer coisa ou evento. Mas se há alguma necessidade do decreto de Deus, ela existe pela intervenção do poder de Deus, isto é, quando considerar [apropriado] usar o seu poder irresistível para efetuar o que decretou.

6. Portanto, não é correto dizer que: "A vontade de Deus é a necessidade das coisas."

7. Nem é bem dito que: "Todas as coisas acontecem necessariamente com respeito ao Decreto de Deus."

8. Então muitos Decretos de Deus distintos são concebidos por nós, e são necessariamente concebidos, quantos sejam os objetos acerca dos quais Deus se ocupa em decretar, ou quantos sejam axiomas pelos quais esses decretos são enunciados.

9. Embora todos os decretos de Deus tenham sido feitos desde a eternidade, porém uma ordem de prioridade e posterioridade deve ser posta, segundo a sua natureza e a relação mútua entre eles.

* lit. causa inicial

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