segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O Calvinismo Aparecendo em Lugares Inesperados e Impróprios

O Calvinismo Aparecendo em Lugares Inesperados e Impróprios

Por Roger Olson

Devido a ascensão daquilo que o meu amigo Scot McKnight chama de “neo-puritanismo” (alguns outros têm rotulado de “novo calvinismo” ou apenas “calvinismo ressurgente”) o calvinismo da TULIP está aparecendo em lugares que não lhe são próprios. Os jovens, especialmente, estão lendo John Piper, Mark Driscoll, Matt Chandler, até mesmo Michael Horton, e levam este novo encontro da teologia “doméstica” com eles para dentro das denominações que cresceram ou que congregam. Muitas vezes essas denominações são historicamente avessas ao calvinismo – tal como a wesleyana-holiness, pentecostal e anabatista.

Muitas vezes essas denominações não tiveram a previsão de esperar essa entrada de pessoas “jovens, incansáveis, reformados” e por isso nunca escreveram declarações de fé explicitamente excluindo a TULIP. Todas as suas declarações de fé são contrárias a TULIP, portanto os “cinco pontos do calvinismo” são completamente estranhos a suas histórias e teologias.

Eu recebo e-mails a todo o tempo (tantos que não posso responder) de pastores, leigos, e até mesmo de teólogos (professores de faculdades, universidades e seminários) me informando sobre essa infecção de calvinismo em suas denominações e instituições relacionadas. Geralmente eles querem alguns conselhos sobre como lidar com isso.

Agora, vamos ser claros sobre o que estou falando e sobre o que NÃO estou falando. Muitas denominações são teologicamente-historicamente, confessionalmente calvinistas. É claro que não estou falando delas. Elas são calvinistas onde lhe é próprio!

Então há muitas outras denominações que são teologicamente-historicamente abertas ao calvinismo; o calvinismo é aceito como uma opção real dentro delas. Um exemplo seria certas denominações batistas tal como a Convenção Batista do Sul [EUA]. Não vejo problemas com os calvinistas pertencerem a estas denominações e até mesmo em promover o calvinismo dentro delas – enquanto fizerem isto de forma justa (não deturpando as outras visões ou implicando que o calvinismo é a única teologia cristã legítima).

Finalmente, há denominações que são teologicamente-historicamente enraizadas em movimentos teológicos-espirituais antitéticos ao calvinismo. O que eu quero dizer é que os protótipos dessas denominações (fundadores, principais porta-vozes, etc.) foram contra o calvinismo e todo mundo sabe disso. Algumas delas têm documentos confessionais que excluem o calvinismo. Algumas não têm.  Talvez elas nunca suspeitassem que o calvinismo viesse para dentro delas ou eram denominações não-credais e não-confessionais da “Bíblia somente” que evitam escrever declarações de fé.

Quais são os exemplos de denominações que são teologicamente-historicamente (declarações doutrinárias, protótipos) contra o calvinismo de tal modo que o calvinismo da TULIP não lhes é somente “novo”, mas também contrário ao seu ethos teológico-histórico? Bem, todas as denominações wesleyanas, todas as denominações restauracionistas (cristã/igrejas de Cristo), todas as denominações anabatistas e todas as denominações pentecostais.

Alguns anos atrás um renomado presidente de um líder, de um seminário evangélico independente, um homem que passou a ser fortemente reformado me informou que “você sabia que há pentecostais reformados”. Ele claramente quis dizer pentecostais calvinistas. A minha resposta (tendo crescido entre pentecostais e lido muitos livros sobre pentecostalismo e tendo publicado alguns artigos sobre o assunto) foi que em círculos pentecostais o “pentecostal reformado” significa NADA MAIS que “não-wesleyano, não-perfeccionista”. Em outras palavras, “pentecostais reformados” (um termo errado, mas comumente usado) significa pentecostais que não acreditam numa “terceira definitiva obra da graça” – total santificação nesta vida. Esta é uma das principais divisões entre pentecostais (historicamente falando). Alguns acreditam na total santificação como uma experiência definitiva e subsequente a conversão e batismo com o Espírito e outros não. Mas “pentecostal reformado” definitivamente não quer dizer “pentecostal calvinista”.

Há pentecostais calvinistas? Eu conheci alguns poucos enquanto eu crescia entre pentecostais. Um deles, um jovem pastor e evangelista, afirmou ser “calvinista” SOMENTE porque começou a acreditar na doutrina da “segurança eterna do crente” – uma doutrina rara entre pentecostais e que, por si só, não constitui o “calvinismo”. Então, na realidade, não. Nunca conheci ou ouvi de haver um pastor pentecostal da TULIP ou líder. Se isso existe, isso é uma extrema raridade e anomalia.

O calvinismo da TULIP é absolutamente desconhecido dessas denominações e tradições mencionadas acima. Ainda agora estou recebendo e-mails menonitas, nazarenos, pentecostais, cristão independentes, etc, preocupados, me notificando que muitos pastores jovens entre eles têm adotado o calvinismo da TULIP. Eles estão quase arrancando os cabelos querendo saber como parar essa tendência.

O meu primeiro conselho a eles seria: compre algumas centenas de cópias do Contra o Calvinismo (sinceramente) e passem a esses jovens pastores! Ou exija que os jovens pastores o leiam – ou algo parecido (embora pessoalmente não conheça nenhum livro relativamente leve que faço o que ele faz).

O meu segundo conselho é redescobrir e reanimar as raízes teológico-históricas e ethos da sua denominação deixando claro que o calvinismo da TULIP é algo estrando, se não anátema para ela.

O meu terceiro conselho é para confrontar os jovens pastores (e outros influenciadores) sobre o seu calvinismo da TULIP e deixe claro que eles devem reconhecê-lo como estranho a história e ethos da denominação, se não aos seus padrões doutrinários, e insista que eles devem manter isso como opinião e que não devem promovê-lo como “a” única teologia bíblica que honra a Deus.

Este é exatamente o conselho que pastores, líderes e teólogos calvinistas dariam se a situação fosse invertida. Imagine uma entrada em massa de arminianos, digamos, numa denominação presbiteriana ou reformada! Bem, é claro, muitas delas têm padrões doutrinários que excluem o arminianismo. Ainda que alguma dessas denominações não force cada jota e til dos seus padrões confessionais. Elas permitem uma diversidade limitada – às vezes incluindo algo como o arminianismo. Mas suponha que um monte de jovens agressivos, arminianos apaixonados, de repente inundem essas denominações? Garanto que os seus líderes ficariam nervosos e seguiriam as sugestões citadas acima (sobre como lidar com o problema oposto).

á disse aqui antes, muitas vezes, que valorizo a unidade cristã e a particularidade denominacional. Creio que as denominações devem resistir a influência de modismos e tendências – especialmente aquelas que as mudam totalmente historicamente e teologicamente.

Francamente, pouco define a minha teologia os extremos como “menonita calvinista” ou “pentecostal calvinista” ou “nazareno calvinista”. Estes devem ser oximoros – tal como “arminiano reformado” e “presbiteriano reformado” e “luterano arminiano” e “católico protestante” (ou “protestante católico”). Agora, como já deixei claro muitas vezes (tenho que continuar a repetir aos recém-chegados): não considero os calvinistas menos cristãos que os arminianos ou vice-versa. Mas eles estão errados teologicamente. Da sua perspectiva é o arminianismo que está errado teologicamente (para eu não ser injusto ou ultrajante). Estas não são questões sem importância. É natural que igrejas e instituições para-eclesiásticas tomem uma posição ou contra o calvinismo ou contra o arminianismo – sem quebrar toda a fraternidade e cooperação. É a mesma coisa como o batismo – uma igreja que batiza tanto crianças como crentes adultos está confusa sobre o batismo. Pessoas que tomam a sério o batismo deveriam ir para uma igreja que SOMENTE batiza pessoas que são consideradas adequadamente (biblicamente, teologicamente) elegíveis ao batismo conforme a teologia do batismo.

Aos calvinistas nas denominações teologicamente-historicamente não-calvinistas digo: “Saiam do meio deles e se separem!” Ou, pelo menos “respeitem o ethos teológico-histórico da sua denominação e não use do seu calvinismo  para tentar muda-la em algo que ela nunca foi”. Diria a mesma coisa para arminianos (se houver algum) em denominações teologicamente-historicamente calvinistas.







Fonte: Patheos.com


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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Com Dave Hunt, os calvinistas piram!


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Do Conhecimento da Vontade de Deus Revelado na Nova Aliança - Capítulo IX

Capítulo IX
Do Conhecimento da Vontade de Deus Revelado na Nova Aliança.  
1. Porém, a vontade de Deus, compreendida na graciosa Aliança(a), que o nosso sumo profeta, o Filho Unigênito de Deus, clara e plenamente nos revelou no seu Evangelho, é aceita em dois pontos principais. Primeiro, as coisas que Deus da sua parte decretou fazer em nós ou relacionado a nós pelo seu Filho Jesus Cristo, para que sejamos feitos participantes da salvação eterna oferecida por ele. Segundo, as coisas que ele quis fazer inteiramente por nós mediante a sua graça, se realmente quisermos alcançar a salvação eterna.
(a) Jr 31.30ss; Hb 8; 9.15ss; 10.15ss

2. São principalmente duas as coisas que Deus decretou fazer da sua parte para nossa salvação. 1) Decretou para honra do seu Filho amado(a) eleger, adotar, justificar, selar com o Espírito Santo e também glorificar, para Si mesmo através dele filhos, todos aqueles e somente aqueles que creem verdadeiramente em seu nome, ou que obedecem ao seu Evangelho, e perseveram na fé e obediência até a morte, para salvação e vida eterna. Por outro lado, reprovar(b) os incrédulos e impenitentes da vida e salvação, e os condenar perpetuamente. 2) Decretou pelo seu mesmo Filho conferir a todos os que são chamados, embora miseráveis pecadores, esta graça eficiente pela qual podem realmente crer no Cristo Salvador, obedecer o seu Evangelho, e serem livres do domínio e culpa do pecado(c), de fato, por meio dela podem realmente crer, obedecer e serem livres, a não ser que por uma nova provocação e rebelião rejeitem a graça oferecida por Deus.
(a) Jo 3.16ss; 6.29-30; Ef 1.3ss; Rm 8.28-30; 2Tm 1.9ss; Hb 3.6,14
(b) Jo 3.18,36; Mt 25.41ss
(c) Tt 2.11-12; At 3.26, 5.31, 26.16-18; 2Co 5.18-20, 6.1; 2Pe 1.3-4

3. O primeiro decreto é o decreto da predestinação para a salvação, ou eleição para a glória, pelo qual se estabelece a verdadeira necessidade e, simultaneamente, a utilidade da nossa fé e obediência para alcançarmos a salvação e a glória. Mas estabelecer dogmaticamente outra ordem ao decreto, principalmente que certas pessoas foram nominalmente e absolutamente eleitas para a glória, e que todas as outras realmente foram reprovadas para o tormento eterno é negar a verdadeira natureza deste decreto, inverter a ordem correta, tirar o mérito de Jesus Cristo, obscurecer a glória da bondade, justiça e sabedoria divina, e de fato subverter totalmente o verdadeiro poder e eficácia de todo o Santo Ministério e, portanto, de toda a Religião.
Veja Calvino e os Cânones do Sínodo de Dort

4. O segundo decreto é o decreto da vocação para a fé ou eleição para a graça, pelo qual se estabelece a necessidade e, simultaneamente, a utilidade da graça divina ou os meios necessários para que da nossa parte seja prestado fé e obediência a Jesus Cristo, conforme a vontade Deus revelada no seu Evangelho. Porque verdadeiramente devemos, em primeiro lugar, ter a certeza de qual é Vontade de Deus, quanto ao que Ele quer que seja prestado por nós (quanto da graça necessária para que seja prestada essa vontade) e da glória prometida que será conferida aqueles que realizam a vontade divina. É por isso que trataremos de todos eles na mesma ordem em que são propostos aqui. 
(a) Rm 10.14ss; 2Tm 1.9

Bibliografia:
The Arminian Confession of 1621, tradutor e editor Mark Ellis (Eugene: Pickwick Publications, 2005), 74-75pp.
Confessio, sive Declaratio, Sententiae Pastorum, qui in Foederato Belgio Remonstrantes vocantur, Super praecipuis articulis Religionis Christianae. (Herder-Wiici: Apud Theodorum Danielis, 1622), 32-33pp.

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