domingo, 29 de dezembro de 2013

Declarações do Credo


Declarações do Credo
compilados por
Aimee Semple McPherson

CREMOS:

1. Na inspiração verbal das Escrituras originais.
2. Na absoluta trindade da eterna Divindade.
3. Na deidade de nosso Senhor Jesus Cristo.
4. Na personalidade e deidade do Espírito Santo.
5. Na realidade e personalidade do Diabo.
6. Na depravação natural da raça humana.
7. Na expiação substitutiva.
8. Na propiciação do pecado só pelo sangue de Cristo.
9. Na plena salvação pela graça mediante a fé e não pelas obras.
10. Na cura divina através da expiação.
11. Na unção do óleo e na oração pelos doentes.
12. No batismo pessoal do Espírito Santo como recebido pelos apóstolos.
13. Na necessidade do novo nascimento.
14. No batismo em água por imersão em idade da responsabilidade.
15. Na primeira e única igreja verdadeira composta de todos os crentes lavados pelo sangue.
16. Na evangelização dos pagãos e das nações do mundo.
17. Na política moderada em relação ao culto público, entre o extremo fanatismo e o ultra-ritualismo.
18. Na obediência a um governo civil.
19. No divórcio só com base bíblica do Novo Testamento.
20. No governo da igreja, lealdade e obediência àqueles que exercem autoridade sobre nós no Senhor.
21. No dízimo como o plano financeiro de Deus.
22. Na restituição dos erros do passado, sempre que possível.
23. Na mesa aberta na ceia do Senhor.
24. Na livre força de vontade moral do homem, que pode recair, apostatar e perder-se.
25. Na conservação de boas obras e uma vida santa.
26. Na vida vitoriosa sobre o pecado e sobre os maus hábitos por meio do estudo bíblico e de uma vida de oração incessante.
27. Na perfeição e santidade cristã, através de uma absoluta rendição e consagração.
28. Na modéstia cristã em matéria de vestuário, artigos de vestuário e jóias.
29. Na guarda do dia do Senhor, como uma questão de privilégio em vez de lei.
30. No que diz respeito à recreação – liberdade de consciência e um piedoso exemplo para o mundo.
31. Na imortalidade e consciente existência da alma.
32. Na ressurreição literal de nossos corpos, do justo e do injusto.
33. Num céu eterno e vida eterna literal para todos os verdadeiros crentes.
34. Num último dia de julgamento para os ímpios incorrigíveis.
35. Na punição eterna do impenitente.
36. Na pessoal, literal, corporal e pré-milenar vinda de Jesus Cristo.
37. Num futuro, literal, reino de mil anos de Cristo sobre a Terra com todos os seus santos.
38. No tribunal de Cristo, onde os santos estarão finalmente.
39. Na tolerância cristã a todas as denominações de fé cristã.
40. "No essencial – unidade; no não essencial – liberdade; em todas as coisas – caridade."


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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Uma Cartilha Sobre Graça Preveniente


Uma das melhores contribuições de John Wesley para a teologia foi a sua compreensão de graça preveniente. Em termos gerais, esta é a graça que "vem antes" – a graça que precede a ação humana e reflete o coração de Deus em buscar a sua criação. Ela testifica ser Deus o iniciador de cada relação com a criação. A graça preveniente é um ensino ortodoxo afirmado pela igreja histórica, porém ela torna-se distintamente wesleyana em seu alcance e escopo. Para John Wesley, a graça preveniente é acessível a todos de modo que não há um "homem natural" deixado num estado puramente caído, sem uma medida de graça restauradora de Deus. Além disso, a graça preveniente tem um sentido salvífico. Isto significa que o Espírito de Deus não trabalha apenas para restaurar certas faculdades da humanidade ou para limitar o pecado humano, mas em última análise, direciona as pessoas para a obra de Cristo. Esta é uma das marcas que posiciona Wesley aparte de Agostinho e de João Calvino. Embora não deva ser confundida com a graça justificadora, a graça preveniente ultrapassa a graça comum reformada, uma vez que ela envolve toda a obra preparatória do Espírito para sua aceitação do Evangelho.

A base para a obra preveniente de Deus como iniciador está firmemente enraizada na Escritura. A narrativa da Escritura testemunha um Deus que chama e busca as pessoas. Ele chamou Adão no jardim quando ele estava se escondendo da vergonha do pecado (Gn 3.9), quando Abraão partiu da casa do seu pai em Harã (Gn 12.4), e quando Moisés apascentava o seu rebanho (Ex 3.4). Jacó e Israel foram escolhidos para abençoar a terra por causa de uma promessa feita a Abraão, não porque eles eram significativos (Rm 9). O Novo Testamento está repleto de passagens que atestam o caráter de Deus como iniciador amoroso, especialmente como é revelado em Jesus Cristo. Lucas 19.10 diz: "Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido." Só podemos amar, porque ele nos amou primeiro, e isso ele fez quando ainda éramos fracos (Rm 5.6; 1Jo 4.10,19; Jo 6.44). Se deixados por nós mesmos, e aqui se deve pensar no “homem natural” teórico de Wesley, seríamos absorvidos no pecado que leva a expressar a autodestruição e a separação eterna de Deus.

A boa notícia é que Deus agiu em Cristo e opera por meio de seu Espírito em trazer-nos a salvação. A teologia da graça preveniente de Wesley nos ensina que Deus está operando muito antes dos evangelistas da igreja, despertando o coração das pessoas para se tornarem as pessoas que ele pretende. Sua referência favorita era, talvez, João 1.9, que diz: "Estava chegando ao mundo a verdadeira luz, que ilumina todos os homens." (NVI) Percebe-se que Wesley leva a sério a universalidade das bênçãos oferecidas por Cristo e efetuadas pelo Espírito Santo (veja também Jo 12.32; Tt 2.11-14). Essa graça especial é a que Paulo fala em Atos 17.26-27, onde o propósito da providência de Deus na história é fazer com que as pessoas venham a buscá-lo e a conhecê-lo. Desta maneira, a graça preveniente é a presença de Deus no tempo e no espaço – em todos os lugares e em todos os tempos – preparando o mundo para ouvir o Evangelho.

Para John Wesley, a graça que vem antes é irresistível no sentido de que ela se aplica a bênçãos universais. Ela "não espera pelo chamado do homem", e ao fazê-lo o seu alcance é para todas as pessoas. Ela é salvífica no sentido em que ela é toda a obra preparatória do Espírito para graça justificadora, e assim o seu alcance está levando as pessoas à salvação. Para ter certeza, a graça preveniente levanta questões importantes sobre outros temas, como o destino dos não evangelizados e a teologia das religiões. Estes temas merecem uma análise mais aprofundada. No entanto, a universalidade dessa graça comporta bem com o caráter amoroso de Deus, que é fundamental para a teologia de Wesley e, certamente, para a Escritura também.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

4. Sobre os Decretos de Deus

4. Sobre os Decretos de Deus

1. Os Decretos de Deus são os atos de Deus para fora (ad extra), embora internos e, portanto, feitos pela livre vontade de Deus, sem qualquer necessidade absoluta. No entanto, um Decreto parece requerer a suposição de um outro, em razão de uma certa condescendência de equidade; como o Decreto concernente a criação de uma criatura racional, e o decreto concernente a salvação ou condenação [dessa criatura] sob a condição de obediência ou desobediência. A ação da criatura também, quando considerada por Deus desde a eternidade, pode ser algumas vezes a ocasião, e outras vezes a causa motora* (προκαταρκτικὴ) externa de criar algum decreto; e isto de tal forma que sem tal ação [da criatura] o decreto não seria criado e nem poderia ser criado.

2. Pergunta - Por acaso, pode a ação de uma criatura impor uma necessidade em Deus de criar algum decreto, e realmente um decreto de um tipo particular e nenhum outro, - e isso não só segundo alguma ação a ser executada em relação a criatura e sua ação, mas também segundo o modo pelo qual a ação é realizada?

3. Uma e a mesma é em número a volição pela qual Deus determina algo e decide fazê-lo ou permiti-lo, e pela qual Ele faz ou permite cada coisa que decretou.

4. Acerca de um único e mesmo objeto, uniformemente considerado, não pode haver dois decretos de Deus, ou duas volições, seja na realidade, ou segundo qualquer aparência contrária - como querer salvar o homem sob alguma condição, porém precisamente e absolutamente querer o condenar.

5. Um decreto por si só não impõe nenhuma necessidade em qualquer coisa ou evento. Mas se há alguma necessidade do decreto de Deus, ela existe pela intervenção do poder de Deus, isto é, quando considerar [apropriado] usar o seu poder irresistível para efetuar o que decretou.

6. Portanto, não é correto dizer que: "A vontade de Deus é a necessidade das coisas."

7. Nem é bem dito que: "Todas as coisas acontecem necessariamente com respeito ao Decreto de Deus."

8. Então muitos Decretos de Deus distintos são concebidos por nós, e são necessariamente concebidos, quantos sejam os objetos acerca dos quais Deus se ocupa em decretar, ou quantos sejam axiomas pelos quais esses decretos são enunciados.

9. Embora todos os decretos de Deus tenham sido feitos desde a eternidade, porém uma ordem de prioridade e posterioridade deve ser posta, segundo a sua natureza e a relação mútua entre eles.

* lit. causa inicial

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Necessidade: Teologia Arminiana Robusta para Leigos (especialmente jovens)

Necessidade: Teologia Arminiana Robusta para Leigos (especialmente jovens)

Por Roger Olson

A maioria das pessoas que vêm aqui sabem que o movimento “neo-calvinista” (alguns preferem o chamar de “neo-puritanismo” e outros de movimento “Jovem, Incansável e Reformado”) está se espalhando como um incêndio entre cristãos evangélicos, especialmente entre os jovens e adolescentes. Num grau alarmante isto está acontecendo em igrejas evangélicas onde o calvinismo tem tradicionalmente sido não só virtualmente desconhecido, mas definitivamente uma alternativa para suas heranças e etos. É claro que falo das muitas igrejas wesleyanas (“Holiness”), igrejas pentecostais e até mesmo igrejas anabatistas. Frequentemente, ouço de pastores e outros associados com essas igrejas e suas escolas sobre incursões de calvinismo entre eles. Muitas vezes eles me perguntam algo como “o que vamos fazer?”

Minha resposta é simples: redescobrir, recuperar, ensinar e pregar uma robusta, cativante, atrativa, biblicamente enraizada teologia arminiana – aquilo que a sua igreja ou escola declarou oficialmente por décadas ou séculos, mas que foi em grande parte esquecido e certamente negligenciado.

Muitas pessoas perguntam a minha opinião sobre as causas dessa onda neo-calvinista entre os jovens evangélicos americanos. Eu dou muito crédito a isso para John Piper e os seus protegidos. Infelizmente, arminianos não tem produzido um porta-voz tal como ele em décadas recentes. Disse “infelizmente”, mas na verdade acho que não só arminianos não produziram tal pessoa, quase nenhuma teologia evangélica específica tem produzido um. Piper permanece sozinho. Ele tem seguidores e imitadores, mas ninguém igual. (Não considero Billy Graham como promovendo uma teologia evangélica específica; a sua teologia evangélica é “genérica”.)

Entretanto, acho que a causa mais importante dessa onda de calvinismo entre jovens é o vácuo doutrinário nas igrejas evangélicas – até entre aquelas arminianas.

Não me lembro dos detalhes, mas cresci sabendo que “nós” éramos arminianos. Não entendia completamente isto até a faculdade e aprender mais sobre isto no seminário, mas aprendi a partir dos nossos hinos, sermões, estudos bíblicos, lições da escola dominical, eventos do grupo de jovens que acreditávamos que Deus concedia o livre-arbítrio (“arbítrio liberto”), o amor de Deus para todas as pessoas, a morte de Cristo para todos sem exceção, graça resistível, etc. Não me interpretem mal; não estou dizendo que aos 16 anos de idade eu estava teologicamente formado. Longe disso, mas nossa igreja comunicou a doutrina e a transmitiu para de uma geração para outra por vários meios. Hinos e músicas evangélicas foram um deles. O pastor com o qual eu cresci era muito cuidadoso com os hinos que cantávamos e ele explicava o seu significado, nós não cantávamos irrefletidamente.

Muitas igrejas não-calvinistas (e tenho certeza que mais do que alguns calvinistas também) se afastaram quase que totalmente da doutrina do ensino. Ou expõem seus jovens a uma variedade de opiniões, porém não explicam a eles quais e porque são as doutrinas das suas igrejas. Elas se concentram muito em questões éticas e formação espiritual, mas pouquíssimo sobre crença.

Os jovens cristãos que encontram o calvinismo, mesmo os de igrejas decididamente não-calvinistas, seguidamente têm dois problemas. Primeiro, eles não ouvem sobre as implicações negativas do calvinismo. Raramente, os seus promotores populares ou nunca, dizem “aqui há um problema com o calvinismo”. Eles simplesmente não pensam nas implicações lógicas das crenças calvinistas. Muitas vezes tive a experiência de apontá-las e receber expressões como “ó, não tinha pensado nisso”. Segundo, eles acham que o calvinismo é a única opção teologicamente bíblica. Eles simplesmente não sabem sobre arminianismo ou qualquer alternativa ao calvinismo, ocasionalmente, eles dizem que as alternativas são sub-cristãs na melhor das hipóteses ou mesmo não-bíblica ou herética.

A solução (para o problema das lutas nas igrejas não-calvinistas com uma afluência de jovens ou a ascensão do calvinismo entre a sua própria juventude) é usar a ocasião como um momento de aprendizado (um clichê, eu sei) e começar a ensinar e a pregar (e a cantar) a sua própria teologia histórica. Quais são os fundamentos dessa alternativa? Primeiro, Jesus Cristo é a revelação perfeita do caráter de Deus; não há por trás dele um “Deus oculto” com diferentes disposições e intenções. Segundo, o caráter de Deus é o amor incondicional. (Cante “O Amor de Deus” e outros parecidos) Terceiro, Cristo morreu por todos e quer que todos se salvem (1Tm 2.4-6). Quarto, Deus é soberano, mas ele é soberano sobre a sua própria soberania. Quinto, Deus em nenhum sentido é autor do pecado, do mal, e não “designa, ordena e governa” o mal. Sexto, a eleição é corporativa e a predestinação é condicional (presciência). Sétimo, não merecemos a nossa salvação, mas cooperamos com a graça preveniente de Deus, aceitamos o dom  de seu Filho e salvador, e essa é a nossa escolha. Oitavo, Deus não obtém nenhum prazer ou glória do inferno.

É claro, há outros pontos de uma robusta soteriologia evangelical não-calvinista e a doutrina da soberania de Deus  . Porém, estes são os essenciais.

Por que não ter a congregação cantando “E pode ser que?” por Charles Wesley e logo em seguida usá-lo como um trampolim para um sermão sobre graça preveniente (O teu olho difuso um raio vivificante... Minhas cadeias caíram, o meu coração foi liberto...”) Use como seu texto “Quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.” Não tenha medo de falar sobre calvinismo como teologia defeituosa sem que isto implique que calvinistas sejam más pessoas ou hereges.

Grande parte da culpa para o surgimento do “neo-calvinismo” é nosso – arminianos. Temos falhado em prover aos nossos jovens a nossa teologia. Então, naturalmente eles acham que o calvinismo é a única teologia evangélica bíblica quando o encontram pregado e ensinado por jovens atrativos e persuasivos como Matt Chandler, Mark Driscoll, Louis Giglio, etc. Até caírem sob o feitiço de John Piper, que é simplesmente um mágico na persuasão.






Fonte: Patheos.com

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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O Calvinismo Aparecendo em Lugares Inesperados e Impróprios

O Calvinismo Aparecendo em Lugares Inesperados e Impróprios

Por Roger Olson

Devido a ascensão daquilo que o meu amigo Scot McKnight chama de “neo-puritanismo” (alguns outros têm rotulado de “novo calvinismo” ou apenas “calvinismo ressurgente”) o calvinismo da TULIP está aparecendo em lugares que não lhe são próprios. Os jovens, especialmente, estão lendo John Piper, Mark Driscoll, Matt Chandler, até mesmo Michael Horton, e levam este novo encontro da teologia “doméstica” com eles para dentro das denominações que cresceram ou que congregam. Muitas vezes essas denominações são historicamente avessas ao calvinismo – tal como a wesleyana-holiness, pentecostal e anabatista.

Muitas vezes essas denominações não tiveram a previsão de esperar essa entrada de pessoas “jovens, incansáveis, reformados” e por isso nunca escreveram declarações de fé explicitamente excluindo a TULIP. Todas as suas declarações de fé são contrárias a TULIP, portanto os “cinco pontos do calvinismo” são completamente estranhos a suas histórias e teologias.

Eu recebo e-mails a todo o tempo (tantos que não posso responder) de pastores, leigos, e até mesmo de teólogos (professores de faculdades, universidades e seminários) me informando sobre essa infecção de calvinismo em suas denominações e instituições relacionadas. Geralmente eles querem alguns conselhos sobre como lidar com isso.

Agora, vamos ser claros sobre o que estou falando e sobre o que NÃO estou falando. Muitas denominações são teologicamente-historicamente, confessionalmente calvinistas. É claro que não estou falando delas. Elas são calvinistas onde lhe é próprio!

Então há muitas outras denominações que são teologicamente-historicamente abertas ao calvinismo; o calvinismo é aceito como uma opção real dentro delas. Um exemplo seria certas denominações batistas tal como a Convenção Batista do Sul [EUA]. Não vejo problemas com os calvinistas pertencerem a estas denominações e até mesmo em promover o calvinismo dentro delas – enquanto fizerem isto de forma justa (não deturpando as outras visões ou implicando que o calvinismo é a única teologia cristã legítima).

Finalmente, há denominações que são teologicamente-historicamente enraizadas em movimentos teológicos-espirituais antitéticos ao calvinismo. O que eu quero dizer é que os protótipos dessas denominações (fundadores, principais porta-vozes, etc.) foram contra o calvinismo e todo mundo sabe disso. Algumas delas têm documentos confessionais que excluem o calvinismo. Algumas não têm.  Talvez elas nunca suspeitassem que o calvinismo viesse para dentro delas ou eram denominações não-credais e não-confessionais da “Bíblia somente” que evitam escrever declarações de fé.

Quais são os exemplos de denominações que são teologicamente-historicamente (declarações doutrinárias, protótipos) contra o calvinismo de tal modo que o calvinismo da TULIP não lhes é somente “novo”, mas também contrário ao seu ethos teológico-histórico? Bem, todas as denominações wesleyanas, todas as denominações restauracionistas (cristã/igrejas de Cristo), todas as denominações anabatistas e todas as denominações pentecostais.

Alguns anos atrás um renomado presidente de um líder, de um seminário evangélico independente, um homem que passou a ser fortemente reformado me informou que “você sabia que há pentecostais reformados”. Ele claramente quis dizer pentecostais calvinistas. A minha resposta (tendo crescido entre pentecostais e lido muitos livros sobre pentecostalismo e tendo publicado alguns artigos sobre o assunto) foi que em círculos pentecostais o “pentecostal reformado” significa NADA MAIS que “não-wesleyano, não-perfeccionista”. Em outras palavras, “pentecostais reformados” (um termo errado, mas comumente usado) significa pentecostais que não acreditam numa “terceira definitiva obra da graça” – total santificação nesta vida. Esta é uma das principais divisões entre pentecostais (historicamente falando). Alguns acreditam na total santificação como uma experiência definitiva e subsequente a conversão e batismo com o Espírito e outros não. Mas “pentecostal reformado” definitivamente não quer dizer “pentecostal calvinista”.

Há pentecostais calvinistas? Eu conheci alguns poucos enquanto eu crescia entre pentecostais. Um deles, um jovem pastor e evangelista, afirmou ser “calvinista” SOMENTE porque começou a acreditar na doutrina da “segurança eterna do crente” – uma doutrina rara entre pentecostais e que, por si só, não constitui o “calvinismo”. Então, na realidade, não. Nunca conheci ou ouvi de haver um pastor pentecostal da TULIP ou líder. Se isso existe, isso é uma extrema raridade e anomalia.

O calvinismo da TULIP é absolutamente desconhecido dessas denominações e tradições mencionadas acima. Ainda agora estou recebendo e-mails menonitas, nazarenos, pentecostais, cristão independentes, etc, preocupados, me notificando que muitos pastores jovens entre eles têm adotado o calvinismo da TULIP. Eles estão quase arrancando os cabelos querendo saber como parar essa tendência.

O meu primeiro conselho a eles seria: compre algumas centenas de cópias do Contra o Calvinismo (sinceramente) e passem a esses jovens pastores! Ou exija que os jovens pastores o leiam – ou algo parecido (embora pessoalmente não conheça nenhum livro relativamente leve que faço o que ele faz).

O meu segundo conselho é redescobrir e reanimar as raízes teológico-históricas e ethos da sua denominação deixando claro que o calvinismo da TULIP é algo estrando, se não anátema para ela.

O meu terceiro conselho é para confrontar os jovens pastores (e outros influenciadores) sobre o seu calvinismo da TULIP e deixe claro que eles devem reconhecê-lo como estranho a história e ethos da denominação, se não aos seus padrões doutrinários, e insista que eles devem manter isso como opinião e que não devem promovê-lo como “a” única teologia bíblica que honra a Deus.

Este é exatamente o conselho que pastores, líderes e teólogos calvinistas dariam se a situação fosse invertida. Imagine uma entrada em massa de arminianos, digamos, numa denominação presbiteriana ou reformada! Bem, é claro, muitas delas têm padrões doutrinários que excluem o arminianismo. Ainda que alguma dessas denominações não force cada jota e til dos seus padrões confessionais. Elas permitem uma diversidade limitada – às vezes incluindo algo como o arminianismo. Mas suponha que um monte de jovens agressivos, arminianos apaixonados, de repente inundem essas denominações? Garanto que os seus líderes ficariam nervosos e seguiriam as sugestões citadas acima (sobre como lidar com o problema oposto).

á disse aqui antes, muitas vezes, que valorizo a unidade cristã e a particularidade denominacional. Creio que as denominações devem resistir a influência de modismos e tendências – especialmente aquelas que as mudam totalmente historicamente e teologicamente.

Francamente, pouco define a minha teologia os extremos como “menonita calvinista” ou “pentecostal calvinista” ou “nazareno calvinista”. Estes devem ser oximoros – tal como “arminiano reformado” e “presbiteriano reformado” e “luterano arminiano” e “católico protestante” (ou “protestante católico”). Agora, como já deixei claro muitas vezes (tenho que continuar a repetir aos recém-chegados): não considero os calvinistas menos cristãos que os arminianos ou vice-versa. Mas eles estão errados teologicamente. Da sua perspectiva é o arminianismo que está errado teologicamente (para eu não ser injusto ou ultrajante). Estas não são questões sem importância. É natural que igrejas e instituições para-eclesiásticas tomem uma posição ou contra o calvinismo ou contra o arminianismo – sem quebrar toda a fraternidade e cooperação. É a mesma coisa como o batismo – uma igreja que batiza tanto crianças como crentes adultos está confusa sobre o batismo. Pessoas que tomam a sério o batismo deveriam ir para uma igreja que SOMENTE batiza pessoas que são consideradas adequadamente (biblicamente, teologicamente) elegíveis ao batismo conforme a teologia do batismo.

Aos calvinistas nas denominações teologicamente-historicamente não-calvinistas digo: “Saiam do meio deles e se separem!” Ou, pelo menos “respeitem o ethos teológico-histórico da sua denominação e não use do seu calvinismo  para tentar muda-la em algo que ela nunca foi”. Diria a mesma coisa para arminianos (se houver algum) em denominações teologicamente-historicamente calvinistas.







Fonte: Patheos.com


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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Com Dave Hunt, os calvinistas piram!


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Do Conhecimento da Vontade de Deus Revelado na Nova Aliança - Capítulo IX

Capítulo IX
Do Conhecimento da Vontade de Deus Revelado na Nova Aliança.  
1. Porém, a vontade de Deus, compreendida na graciosa Aliança(a), que o nosso sumo profeta, o Filho Unigênito de Deus, clara e plenamente nos revelou no seu Evangelho, é aceita em dois pontos principais. Primeiro, as coisas que Deus da sua parte decretou fazer em nós ou relacionado a nós pelo seu Filho Jesus Cristo, para que sejamos feitos participantes da salvação eterna oferecida por ele. Segundo, as coisas que ele quis fazer inteiramente por nós mediante a sua graça, se realmente quisermos alcançar a salvação eterna.
(a) Jr 31.30ss; Hb 8; 9.15ss; 10.15ss

2. São principalmente duas as coisas que Deus decretou fazer da sua parte para nossa salvação. 1) Decretou para honra do seu Filho amado(a) eleger, adotar, justificar, selar com o Espírito Santo e também glorificar, para Si mesmo através dele filhos, todos aqueles e somente aqueles que creem verdadeiramente em seu nome, ou que obedecem ao seu Evangelho, e perseveram na fé e obediência até a morte, para salvação e vida eterna. Por outro lado, reprovar(b) os incrédulos e impenitentes da vida e salvação, e os condenar perpetuamente. 2) Decretou pelo seu mesmo Filho conferir a todos os que são chamados, embora miseráveis pecadores, esta graça eficiente pela qual podem realmente crer no Cristo Salvador, obedecer o seu Evangelho, e serem livres do domínio e culpa do pecado(c), de fato, por meio dela podem realmente crer, obedecer e serem livres, a não ser que por uma nova provocação e rebelião rejeitem a graça oferecida por Deus.
(a) Jo 3.16ss; 6.29-30; Ef 1.3ss; Rm 8.28-30; 2Tm 1.9ss; Hb 3.6,14
(b) Jo 3.18,36; Mt 25.41ss
(c) Tt 2.11-12; At 3.26, 5.31, 26.16-18; 2Co 5.18-20, 6.1; 2Pe 1.3-4

3. O primeiro decreto é o decreto da predestinação para a salvação, ou eleição para a glória, pelo qual se estabelece a verdadeira necessidade e, simultaneamente, a utilidade da nossa fé e obediência para alcançarmos a salvação e a glória. Mas estabelecer dogmaticamente outra ordem ao decreto, principalmente que certas pessoas foram nominalmente e absolutamente eleitas para a glória, e que todas as outras realmente foram reprovadas para o tormento eterno é negar a verdadeira natureza deste decreto, inverter a ordem correta, tirar o mérito de Jesus Cristo, obscurecer a glória da bondade, justiça e sabedoria divina, e de fato subverter totalmente o verdadeiro poder e eficácia de todo o Santo Ministério e, portanto, de toda a Religião.
Veja Calvino e os Cânones do Sínodo de Dort

4. O segundo decreto é o decreto da vocação para a fé ou eleição para a graça, pelo qual se estabelece a necessidade e, simultaneamente, a utilidade da graça divina ou os meios necessários para que da nossa parte seja prestado fé e obediência a Jesus Cristo, conforme a vontade Deus revelada no seu Evangelho. Porque verdadeiramente devemos, em primeiro lugar, ter a certeza de qual é Vontade de Deus, quanto ao que Ele quer que seja prestado por nós (quanto da graça necessária para que seja prestada essa vontade) e da glória prometida que será conferida aqueles que realizam a vontade divina. É por isso que trataremos de todos eles na mesma ordem em que são propostos aqui. 
(a) Rm 10.14ss; 2Tm 1.9

Bibliografia:
The Arminian Confession of 1621, tradutor e editor Mark Ellis (Eugene: Pickwick Publications, 2005), 74-75pp.
Confessio, sive Declaratio, Sententiae Pastorum, qui in Foederato Belgio Remonstrantes vocantur, Super praecipuis articulis Religionis Christianae. (Herder-Wiici: Apud Theodorum Danielis, 1622), 32-33pp.

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domingo, 1 de setembro de 2013

3. Sobre Deus Segundo a Relação Entre as Pessoas na Trindade

3. Sobre Deus Segundo a Relação Entre as Pessoas na Trindade

1. Nunca foi dito pelos Pais da Igreja sobre o Filho de Deus ser "Deus de si mesmo",  pois este é um dizer perigoso. Porque, Αυτοθεος (Deus de si mesmo) significa propriamente que o Filho não tem a Essência Divina de outro. Mas isso acontece por uma catacrese [i.e. uso impróprio da palavra], em que essa essência que o Filho tem não é de outro, porque o significado do sujeito é mudado. Pois "Filho" e "Essência Divina" diferem em significado.

2. A Essência Divina é, própria e verdadeiramente, comunicada ao Filho pelo Pai. Portanto, é uma estupidez afirmar "que, de fato, é próprio dizer ser a essência divina comum ao Filho e ao Pai; mas é impróprio dizer ser ela comunicada" [Trelcatius, Institut. liber 2, fol. 18.]. Visto que, não seria comum se não fosse comunicada.

3. O Filho de Deus é corretamente chamado Αυτοθεος, "Deus verdadeiro", de modo que este termo é aceito por aquilo que é o próprio Deus, verdadeiro Deus. Todavia, Ele é erroneamente designado por este termo, na medida em que isso significa que Ele não tem a sua essência comunicada pelo Pai, porém Ele a tem em comum com o Pai.

4. É uma expressão ambígua e, portanto, perigosa dizer que: "O Filho de Deus, em relação à sua essência, é de si mesmo". Nem é removida a ambiguidade se for dito que:  "O Filho, em relação à sua essência absoluta, ou sendo absolutamente considerada a sua essência, é de si mesmo". Além disso, esta linguagem é forjada, recente, e também ἀδολεσχίαν [gr. tagarelice].

5. As Pessoas Divinas não são τροποι υπαρξεως, ou modos de ser ou de existir, ou modos da Essência Divina; porque são questões sobre o modo de ser ou existir.

6. As Pessoas Divinas são distinguidas por uma distinção real, não pelo grau ou modo da questão.

7. Uma Pessoa é uma subsistência individual em si, não é uma propriedade característica, nem um princípio individual; embora ela não seja um indivíduo, nem uma pessoa, sem uma propriedade característica ou sem um princípio individual.

8. Perguntas - Não seria útil a Trindade ser considerada tanto como ela existe na sua própria natureza, segundo a a relação coessencial das Pessoas Divinas, bem como ela se tem manifestado na economia da salvação, realizada por Deus pai, em Cristo, através do Espírito Santo? E nenhuma destas considerações pertenceria a religião universal, e as que foram prescritas a Adão segundo a lei? A última consideração pertence propriamente ao Evangelho de Jesus Cristo, mas não excluindo o que eu tenho dito como pertencente a toda religião universal e, portanto, ao que é cristão.

sábado, 20 de julho de 2013

Do Conhecimento das Obras de Deus - Capítulo IV

Capítulo IV
Do Conhecimento das Obras de Deus.
1. Em segundo lugar devemos considerar as obras de Deus, através das quais Ele revela a Sua própria glória e nos comunica o que há de bom, e de algum modo exibe a Si mesmo a fim de nos ser conhecido. Por isto, elas são um fundamento construído sobre o direito e autoridade de Deus, a partir do qual Ele pode justamente nos requerer culto e normalmente assim o faz, a quem e como quer(a). Também a justiça e equidade, segundo as quais somos obrigados a render a Deus tal culto, como Ele próprio nos exige de acordo com o seu juízo(b).
(a) Ex 20; Dt 32.6; Sl 136; At 17.24; Ap 4.11
(b) Ml 1.6, 2.10

2. Deste modo as obras são consideradas sob dupla(a) abordagem: 1) como elas antes dos séculos, ou antes da fundação do mundo, foram divinamente previstas e preordenadas, as quais são normalmente chamadas pelo nome de decretos; e 2) como elas se manifestam no tempo, conforme o seu modo e ordem, já que desde a antiguidade foram estabelecidas por esse decreto divino (geral ou especial, absoluto ou condicional) com grande sabedoria, sendo elas prescritas para a execução.  Agora a partir dessa execução, e de sua razão e modo, o julgamento deve ser feito sobre os próprios decretos(b). Na verdade, tais decretos estão totalmente completos assim como a sua execução, e nem poderia ficar sem marca de inconsistência a execução se não correspondesse ao decreto, a menos que a resista ou a contrarie.
(a) At 15.18; 1Co 2.7; Ef 1.4; 2Tm 1.9; 1Pe 1.20
(b) Sl 33.11; Is 14.26-27; 46.10; Jr 18.7s

3. Deste modo, são duas as principais obras desta execução, a saber: a Obra da criação(a)  – na qual o homem ainda não existia; e a Recriação ou Redenção(b)  – na qual o homem já caído, por causa do pecado, tornou-se suscetível a morte e a condenação eterna, juntamente com todos os seus descendentes. As duas obras aderem à contínua providência de Deus, ou conservação e controle de todas as coisas(c); e elas sempre se acomodam as naturezas e propriedades das coisas criadas (exceto se algo acontecer fora do ordinário, como em milagres, etc.).
(a) Gn 1
(b) 2Co 5.17
(c) Sl 104; Ef 1.10; Cl 1


Bibliografia:
The Arminian Confession of 1621, tradutor e editor Mark Ellis (Eugene: Pickwick Publications, 2005), 53-54pp.
Confessio, sive Declaratio, Sententiae Pastorum, qui in Foederato Belgio Remonstrantes vocantur, Super praecipuis articulis Religionis Christianae. (Herder-Wiici: Apud Theodorum Danielis, 1622), 15-16pp.

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sexta-feira, 19 de julho de 2013

2. Sobre Deus ser Considerado de Acordo com a Sua Natureza

2. SOBRE DEUS SER CONSIDERADO DE ACORDO COM A SUA NATUREZA

1. Deus é bom por uma necessidade natural e interna, e não livremente; esta expressão é claramente explicada pelos termos "não constrangidamente" e "não servilmente". 

2. Deus conhece de antemão as coisas futuras através da infinidade de sua essência, e através da perfeição preeminente de sua compreensão e presciência, não que Ele as tenha desejado ou decretado a fim de que necessariamente aconteçam; contudo se Deus não as conhecesse de antemão, exceto por serem futuras, elas não seriam futuras a menos que Ele as decretasse quer as efetuando ou as permitindo. 

3. Deus ama a justiça e suas criaturas, porém ele ama a justiça mais do que as criaturas, de onde seguem duas conseqüências: 

4. A primeira, que Deus não odeia a sua criatura, a não ser por causa do pecado. 

5. A segunda, que Deus realmente não ama criatura alguma para a vida eterna, exceto quando considerada como justa, seja por justiça Legal ou Evangélica. 

6. A vontade de Deus é corretamente e utilmente distinguida entre antecedente e consequente

7. A distinção da vontade de Deus entre secreta (beneplácito) e revelada (significado) não pode suportar um rígido exame. 

8. Justiça punitiva e misericórdia não são, e nem podem ser a causa do movimento anterior (προηγουμεναι) ou final do primeiro decreto, ou de sua primeira operação. 

9. Deus é abençoado em si mesmo e no conhecimento da sua própria perfeição. Ele, portanto, não tem necessidade de nada, e nem necessita de qualquer demonstração das suas propriedades pelas operações externas: Porém, se Ele o fizer, isto concorda com a sua pura e livre vontade, contudo nesta declaração convém se observar certa ordem segundo os vários egressos de sua bondade, e isto de acordo com a prescrição de sua sabedoria e justiça.

terça-feira, 9 de julho de 2013

1. Sobre as Escrituras e Tradições Humanas

Alguns Artigos a Serem Diligentemente Examinados e Ponderados ​​Por Causa de Uma Controvérsia Concernente a Eles Surgida Dentre os Que Professam a Religião Reformada 

Estes artigos estão, em parte, negando ou afirmando de forma decisiva e, em parte, negando ou afirmando de forma dúbia, cada um dos métodos representados por alguns sinais indicativos que estão adicionados aos diferentes artigos. 

1. SOBRE AS ESCRITURAS E TRADIÇÕES HUMANAS 

1. A regra da verdade teológica não é dupla, uma primária e a outra secundária, mas é uma e simples, as Sagradas Escrituras. 

2. As Escrituras são a regra de toda a verdade divina, de si, em si, e por si; e esta é uma afirmação imprudente, "que elas são de fato a regra, mas só quando entendidas de acordo com o sentido da Confissão das Igrejas Holandesas, ou quando explicadas pela interpretação da Catecismo de Heidelberg. " 

3. Nenhum escrito compilado por homens — por um homem, por poucos homens, ou por muitos — (com exceção das Sagradas Escrituras) é αυτοπιστον [gr. autopiston] "crível por si mesmo", ou αξιοπιστον [gr. axiopiston] "digno de fé por si mesmo" e, portanto, não está isento de um exame a ser instituído por meio das Escrituras. 

4. É uma afirmação irrefletida, "que a Confissão e o Catecismo são postos em dúvida, quando são submetidos a um exame", pois eles nunca foram colocados para além do perigo de serem postos em dúvida, nem podem ser assim colocados. 

5. É tirânico e papista controlar as consciências dos homens com escritos humanos, e impedi-los de serem submetidos a um exame legítimo, mesmo sob o pretexto de tal conduta tirânica ser adotada.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Wesley sobre Atos 13.48

Wesley sobre Atos 13.48

Por Godismyjudge

Eu não era um grande fã da interpretação de Wesley de Atos 13.48, mas ultimamente tenho sido levado a admirar a sua simplicidade. Wesley não entra em debates sobre voz passiva vs. média, em disputa sobre a tradução de tasso como ordenar vs. dispor, ou em discussões sobre o significado de com ou sem o pronome reflexivo. Ele é apenas reto e vai direto ao ponto. Aqui está a passagem e o comentário de Wesley:

E, no sábado seguinte, ajuntou-se quase toda a cidade a ouvir a palavra de Deus. Então, os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo dizia. Mas Paulo e Barnabé, usando de ousadia, disseram: Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e vos não julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios. Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, para que sejas de salvação até aos confins da terra. E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna. (At 13.44-48 ARC)

Todos quantos estavam ordenados para a vida eterna – São Lucas não diz pré-ordenados. Ele não está falando daquilo que aconteceu na eternidade, mas daquilo que aconteceu mediante a pregação do Evangelho. Ele está descrevendo essa ordenação, e ela somente, que estava no tempo exato de ser ouvida. Durante o sermão creram, disse o apóstolo, aqueles a quem Deus deu o poder para crer. Seria como se ele tivesse dito: “Creram aqueles cujos corações o Senhor abriu”. Em outro lugar, claramente paralela a esta passagem, ele fala do mesmo tipo de ordenação (At 16.14-15). Pode-se observar que a palavra original não é usada sequer uma vez na Escritura para expressar qualquer tipo de predestinação eterna. Em suma, todos aqueles e somente aqueles, que foram imediatamente ordenados, imediatamente creram. Não que Deus tenha rejeitado os outros, era sua vontade que eles fossem salvos, mas eles rejeitaram a salvação. Nem foram os que creram obrigados a crer. Mas, primeiramente, a graça lhes foi oferecida copiosamente. E eles não a rejeitaram, de modo que até uma grande multidão de gentios se converteram. Resumindo, a própria expressão implica numa ação presente da graça de Deus operando fé nos ouvintes. (link)

Os calvinistas entendem essa passagem como uma predestinação divina a eternidade, já os arminianos entendem como a operação da graça preveniente naquele momento. Wesley traz de forma rápida e clara as três melhores razões em favor da visão arminiana:

1.         A palavra original (gr. tasso) não é usada sequer uma vez na Escritura para expressar qualquer tipo de predestinação eternaTasso seria uma palavra incomum para significar predestinação. Προορίζω (gr. proorizo) seria mais comum. De fato, isto seria o único uso de tasso com este sentido dentre as oito ocorrências dela no Novo Testamento e 65 no Antigo Testamento (usando a LXX). Além disso, tasso está no mais-que-perfeito, o que seria um tempo estranho para a predestinação; seria de se esperar algo mais definitivo, como um tempo aoristo ou perfeito para predestinação.
2.         Ele não está falando daquilo que aconteceu na eternidade, mas daquilo que aconteceu mediante a pregação do Evangelho – No grego, quando se junta um particípio perfeito com o verbo “ser/estar” no imperfeito se obtém um mais-que-perfeito perifrástico. Nesse versículo ησαν é um verbo “ser/estar” no imperfeito e τεταγμενοι é um particípio perfeito, então temos um mais-que-perfeito. A situação temporal para o mais que perfeito é derivado do seu contexto. Os gentios foram ordenados à vida eterna quando ouviram o evangelho e o receberam com alegria. A “eternidade passada” não está no contexto e aparece mais como uma exceção, fora da narrativa histórica, o que é um problema para os calvinistas visto que o mais-que-perfeito deriva a sua situação temporal a partir da narrativa.
3.       Não que Deus tenha rejeitado os outros, era sua vontade que eles fossem salvos, mas eles rejeitaram a salvação – O versículo 48 e 46 são paralelos: “alegraram-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.” Do versículo 48 corresponde ao versículo 46 “mas, visto que a rejeitais, e vos não julgais dignos da vida eterna”. A interpretação calvinista é assimétrica e a interpretação arminiana é simétrica.

Finalmente, Wesley antecipa e prevê uma objeção. Se os calvinistas se retratarem da sua posição que a passagem ensina predestinação e passarem a afirmar que a passagem ensina graça irresistível? Será que a passagem ensina que Deus faz alguma coisa antes de alguém crer que precisa crer? Wesley responde: Nem foram os que creram obrigados a crer. Mas, primeiramente, a graça lhes foi oferecida copiosamente. E eles não a rejeitaram, de modo que até uma grande multidão de gentios se converteram. Resumindo, a própria expressão implica numa ação presente da graça de Deus operando fé nos ouvintes. A ideia é que a capacitação é um elemento essencial da graça preveniente, embora ela não para por aí. A graça preveniente nos levará até a conversão, caso não a resistirmos. Pouco antes da fé, ainda pode se escolher por resistir, mas se isso acontecer essas pessoas cairão do número daqueles ordenados a vida eterna. No entanto, se não resistirem, a graça de Deus lhes seguirá (Jo 6.45; 7.17).



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domingo, 14 de abril de 2013

O Teísmo Aberto é um tipo de Arminianismo?


O Teísmo Aberto é um tipo de Arminianismo?

Por Roger Olson

Uma das razões pelas quais criei esse blog foi prover um lugar para discutir sobre questões arminianas, questões relacionadas com a teologia arminiana. (Não há um “movimento arminiano” como tal, por isso toda a discussão sobre arminianismo é sobre teologia.) Uma dessas questões é se o teísmo aberto, teologia da “abertura de Deus”, é uma versão do arminianismo. Será que ele pertence a uma categoria abrangente da “teologia arminiana” ou ele é uma teologia “solitária” cara a cara com o arminianismo? Estão eles separados ou o arminianismo deve ser considerado de modo mais amplo, uma perspectiva doutrinária maior e o teísmo aberto um ângulo particular dessa perspectiva?

Geralmente falando, os teístas abertos querem ser considerados arminianos. A maioria deles eram arminianos antes de se tornarem teístas abertos; eles ainda se consideram arminianos. (Uns poucos teístas abertos saltaram de alguma versão da teologia reformada para o teísmo aberto.)

Geralmente falando, não teístas abertos arminianos não querem incluir teístas abertos entre as suas fileiras ou considerar o teísmo aberto como uma variação do arminianismo.

Penso que existem razões políticas para isso. Entre os evangélicos, de qualquer modo, o arminianismo tem sido aceito como uma tradição respeitável até mesmo pela maioria dos evangélicos reformados que discordam totalmente dele. Arminianos estavam entre os fundadores da Associação Nacional de Evangélicos. Quem poderia seriamente duvidar que John Wesley devesse ser considerado evangélico? Sim, é claro, que há aqueles calvinistas e luteranos que gostariam de possuir o rótulo de “evangélico” e excluir arminianos, porém isso não é amplamente aceito pelos líderes do evangelicalismo. Se o teísmo aberto puder ser considerado arminiano, isso dará aos teístas abertos mais de uma voz, um lugar à mesa, entre os evangélicos.

Por outro lado, os anti-teístas abertos arminianos, até mesmo alguns arminianos simpáticas ao teísmo aberto, não querem incluí-los como uma variação do arminianismo porque isso daria crédito à crítica calvinista de que o arminianismo conduz ao teísmo aberto (que é definido por eles como heresia).

Tenho uma gravação parcial de um evento público onde dois líderes calvinistas evangélicos que discutem um com o outro, na frente de uma plateia, sobre teísmo aberto e arminianismo. Eles concordam que o teísmo aberto está “fora dos limites”, por assim dizer (do evangelicalismo), mas acabam não sabendo o que dizer sobre o arminianismo exceto que os arminianos “estão todos indo para lá” (ou seja, teísmo aberto).  O que eles queriam dizer, e tenho certeza disso, é que o teísmo aberto é o ponto lógico final da teologia arminiana (argumento da ladeira escorregadia).

Alguns anos atrás ajudei no começo de uma organização de evangélicos arminianos. Eu não discuti que teístas abertos devessem ser incluídos porque entendia as ramificações políticas disso. A organização pretendia introduzir uma organizada e trans-denominacional voz de arminianos entre os evangélicos. A ideia era que se fossem incluídos os teístas abertos isso faria com que a crítica calvinista fosse direcionada ao bocado todo da organização com uma heresia amigável. Isso seria dar motivos àqueles que afirmam que o arminianismo conduz ao teísmo aberto. Eu não concordei com o que foi feito, mas cheguei ao ponto de excluir teístas abertos – pelo menos no começo. Agora acho que isso foi um erro.

É claro, deixando de lado a questão política, tudo depende de como se define amplamente “arminianismo”. Se isso inclui um monte de detalhes, então talvez o teísmo aberto não pertencesse a essa categoria, porém muitas outras pessoas (que não são teístas abertos) que se consideram arminianos também seriam excluídas. Por exemplo, nós evangélicos arminianos discordamos entre nós sobre o molinismo, “conhecimento médio”, e onde que isso é uma versão válida de arminianismo. Muitos arminianos acreditam que Deus tem o conhecimento médio e o usa em sua providência e predestinação de pessoas. Alguns eruditos de Armínio afirmam que Armínio foi um molinista. Outros arminianos são inflexivelmente contrários ao conhecimento médio e especialmente a qualquer ideia de que Deus o usa na providência e predestinação. (Agora não vou entrar nisso, mas o assunto está sendo discutido em sua maioria de forma amigável entre evangélicos arminianos no fórum de discussões da Sociedade Arminiana.)

Para mim, essa é a maior, e mais importante questão a do teísmo aberto. Isso porque, para mim, e para muitos arminianos, a chave para o arminianismo é o caráter de Deus. Isso é o que primeiramente distingue o arminianismo do calvinismo. Todos os arminianos acreditam que o Deus do calvinismo não pode ser compreendido (logicamente) como um ser perfeitamente bom e amável, e que somente o arminianismo (se sob o rótulo ou não) torna isso (logicamente) possível ver Deus como perfeitamente bom (sem cair no universalismo como no caso de Barth e alguns outros na tradição reformada).

Sim, é claro, que o livre-arbítrio é uma ideia chave da teologia arminiana, e a graça preveniente como a fonte do livre-arbítrio em relação à aceitação de uma pessoa ao Evangelho (de fato eles nada fazem de bom espiritualmente falando). Todavia, o livre-arbítrio é para o bem do caráter de Deus.  Arminianos, aos menos os arminianos evangélicos, não acreditam no livre-arbítrio para o seu próprio bem ou em qualquer forma humanista. Acreditamos no “arbítrio libertado” (libertado pela graça) porque acreditamos na relacional bondade de Deus (parando muito antes do universalismo).

O molinismo, em minha opinião, levanta pontos de interrogação sobre a bondade de Deus – na medida em que sugere que Deus usa o conhecimento médio para determinar as decisões e ações de pessoas. E qual o outro motivo para crer nisso? O foco central do conhecimento médio molinista é reconciliar livre-arbítrio e determinismo. Acredito que o arminianismo é essencialmente não determinista. O determinismo divino, mesmo em sua forma molinista, conduz logicamente, inexoravelmente, ao mesmo problema do calvinismo clássico – uma sombra posta sobre a bondade de Deus. A questão, claramente, é a intencionalidade divina em relação ao pecado e o mal, especialmente o inferno. (Veja a minha discussão sobre molinismo, conhecimento médio e compatibilismo em Contra o Calvinismo.)

Assim, me parece irônico que alguns arminianos sejam molinistas e que o molinismo exista entre arminianos, mas o teísmo aberto que está mais perto do “coração” do arminianismo (o caráter de Deus é absolutamente bom) seja excluído.

É claro, um argumento para a inclusão do molinismo, mas não ao teísmo aberto é o apelo a tradição. Alguns eruditos arminianos argumentam que Armínio foi um molinista. Se sim, defendo eu, então ele era inconsistente. Pode haver passagens em que Armínio soe desse jeito, mas a minha própria “pegada” sobre elas é que ele não estava pensando claramente nos dias que ele as escreveu. Ele também nunca tornou público ter abraçado o molinismo ou o conhecimento médio (com o melhor do meu conhecimento e já li todas as suas obras que foram traduzidas ao inglês e muitos livros sobre Armínio e sua teologia). Quando eu estava fazendo a minha pesquisa para Teologia Arminiana: Mitos e Realidades li vários teólogos dos séculos XVIII, XIX e XX, mas nunca me deparei com um que claramente fosse molinista.

No entanto, estou disposto a admitir que possa ter havido molinismo em alguns cantos de muitos escritos de Armínio e no arminianismo posterior. Acho que na melhor das hipóteses isto é um corpo estranho dentro da tradição arminiana. Ele pertence ao calvinismo, em minha humilde opinião. (A não ser que um arminiano simplesmente acredite que Deus tem o conhecimento médio, mas não o use para determinar as decisões e ações das criaturas. Mas então, qual é o ponto?)

Outro ponto de discordância e variedade entre arminianos é a perfeição cristã, total santificação, ou não. Arminianos wesleyanos acreditam nisso; arminianos não wesleyanos não. (E, é claro, os teólogos wesleyanos contemporâneos discordam entre si sobre o seu significado.) Isso nem chega perto de tocar a questão central do caráter de Deus, por isso nunca me preocupei sobre a inclusão de ambas as perspectivas como igualmente arminiano. Contudo, muitos críticos reformados de Wesley (e da teologia wesleyana) se preocupam que a crença em algum tipo de perfeição cristã ou total santificação conduza inevitavelmente a justificação por obras em detrimento a justificação pela fé. E ainda, que a crítica nunca tenha, com o melhor do meu conhecimento, mantido arminianos não wesleyanos de considerar arminianos wesleyanos companheiros arminianos em pé de igualdade.

Portanto, não discordância muito profunda entre arminianos evangélicos sobre muitas coisas. Por que excluir teístas abertos – especialmente se molinistas estão incluídos?

A única razão que posso pensar é que o teísmo aberto é controverso entre os líderes do evangelicalismo – muitos dos quais são mais reformados do que arminianos. (Aqui eu não vou entrar nessa discussão – se o arminianismo é uma variedade do protestantismo reformado.)

Quando pela primeira vez o teísmo aberto entrou na cena evangélica, com a publicação de The Openness of God em meados de 1990, vários líderes evangélicos bradaram bem alto – o condenando, por exemplo, como “apenas teologia do processo”. Eles levantaram esse burburinho antes mesmo de compreendê-lo totalmente, estes líderes evangélicos se recusaram a abraçar o teísmo aberto como uma opção evangélica legítima. Fui muito mal tratado por alguns líderes evangélicos por isso.

Esta é uma história pessoal que não posso provar; você pode acreditar em mim ou não. Mas me lembro disso como se tivesse acontecido ontem. Um líder evangélico muito influente que tem muita autoridade para definir “evangelicalismo” e fazer a sua definição a “vara de medida” me disse, no café da manhã de uma reunião da sociedade profissional, que ele tinha se inclinado por um longo tempo ao teísmo aberto. Isso foi logo após a publicação de Openness of God, antes da confusão sobre isso explodir. Sei que ele compreendeu o que é o teísmo aberto, porque conversamos sobre isso por pelo menos trinta minutos e ele tinha lido e compreendido outros escritos de pessoas como Richard Rice e Clark Pinnock que precederam esse volume do livro. Então, quando a controvérsia irrompeu em guerra aberta (não violenta) entre evangélicos, especialmente com alguns calvinistas, marchando e gritando (e muitas vezes revelando que eles mesmos nem entenderam o teísmo aberto!), este líder, uma pessoa evangélica influente não mais se identificou como um teísta aberto em particular ou em público. Ele tentou moderar a controvérsia, para aclamá-la, e ganhar de todos os lados a fim de se engajar na calma, discussão civil. Mas tenho quase certeza que ninguém senão eu e alguns poucos que sabia que ele era um teísta aberto, ou pelo menos se inclinava nessa direção, antes da controvérsia explodir.

Como essa controvérsia poderia se tornar tão explosiva? Bem, uma maneira foi os anti-teístas abertos deturparem o teísmo aberto aos não teólogos, pastores e leigos, por exemplo, na crença de que “Deus dá maus conselhos” e na crença de um “Deus ignorante”. Muitos deles foram diretamente às convenções denominacionais e passaram resoluções contra o teísmo aberto aos assustados delegados, sugerindo que o teísmo aberto é um cavalo de Tróia da teologia do processo. (Eles, às vezes, passavam mais tempo falando sobre a teologia do processo que do teísmo aberto, isso fazia com que os delegados apavorados pensassem que os dois eram basicamente a mesma coisa.)

Muitas vezes perguntei por que o teísmo aberto, de todas as coisas, levava a tal histeria (e às vezes a franca desonestidade) entre os seus críticos. Uma das coisas que suspeito é que muitos calvinistas perceberam que caso muitos evangélicos adotassem o teísmo aberto, um dos seus argumentos mais fortes contra o arminianismo seria anulado – que o arminianismo não pode explicar como Deus prevê livres decisões futuras das criaturas sem de alguma forma as determinar.

O teísmo aberto está, na minha opinião, ainda que errado, mais perto do verdadeiro coração do arminianismo do que o molinismo (na medida em que usa o conhecimento médio para reconciliar o determinismo divino com o livre-arbítrio). Ele deve ser considerado uma variação de arminianismo assim como, digamos, o supralapsarianismo é considerado uma variação legítima do calvinismo. O calvinismo é uma tradição diversificada. Ele inclui muitas perspectivas diferentes, algumas delas muito controversas entre aqueles que se consideram porta-vozes da teologia reformada. O supralapsarianismo é uma. (Ok, R.C. Sproul é contra o supralapsarianismo e ainda diz que ele não é o verdadeiro calvinismo. Gostaria de vê-lo e ouvi-lo dizer isso na frente de Alvin Plantinga.) O Sínodo de Dort reconheceu serem os supralapsarianos verdadeiramente reformados, mesmo sendo a maioria dos líderes do sínodo à favor do infralapsarianismo. Há outros debates entre os evangélicos calvinistas sobre os quais poucos excluem alguém de ser considerado verdadeiramente reformado ou calvinista.

O arminianismo é uma grande tenda e um jogo centrado. O teísmo aberto está sob ela e nela. Está na hora de todos os arminianos simplesmente reconhecerem isso e pararem de tentar excluir os teístas abertos.







Fonte: Patheos.com 



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sábado, 30 de março de 2013

Da Santíssima Trindade - Capítulo III


Capítulo III
Da Santíssima Trindade.
1. Quanto a distinção e relação, Deus é considerado sob três hipóstases(a) ou três pessoas. Sob as quais, evidentemente, revela a Sua própria Deidade na Sua Palavra, a fim de ser considerada economicamente por nós, em relação a Si mesma. Esta Trindade é Pai, Filho e Espírito Santo(b). Assim, uma hipóstase da Deidade é ἀναίτιος (anaitios), isto é, sem causa[1] e ingerada. Outra hipóstase, verdadeiramente, tem a sua causa do Pai por geração, a saber, o unigênito do Pai. E também a outra hipóstase procede igualmente do Pai e do Filho, ou emana do Pai por meio do Filho.
(a) Mt 28.19; Jo 14.16,26 e 15.26; 1Co 12.4-6; 2Co 13.13; 1Jo 5.7
(b) Idem

2. Porém, só o Pai(a) é totalmente desprovido de origem, ou seja, Ele é ingênito e de nenhum outro procede. No entanto, o Pai comunica desde a eternidade a Sua própria Deidade, então o Filho unigênito(b), não por criação(c) (a respeito dos anjos é dito serem filhos de Deus), nem por graciosa adoção(d) (pela qual nós os crentes também somos filhos de Deus), e nem só por meio do poder divino e glória suprema, mas de fato por esta graciosa comunicação é o Mediador(e), e também por uma verdadeira geração(f), que é secreta e inefável. Assim, também o Espírito Santo procede igualmente tanto por secreta emanação quanto por espiração(g). O Pai é mais corretamente considerado a fonte e origem de toda Deidade.
(a) 1co 8.6; Ef 4.6
(b) Jo 1.18 e 3.16; Rm 8.32
(c) Jó 1.6, 2.1 e 38.7
(d) Jo 1.12; Gl 3.26
(e) Jo 3.35 e 5.22s
(f) Sl 2.7; Hb 1.5s; Jo 1.18
(g) Jo 15.26; Gl 4.6; 1Co 2.11-12

3. Portanto, o Filho e o Espírito Santo, ainda que sejam divinos em relação à hipóstase, modo e ordem, verdadeiramente são distintos do Pai. Todavia, são verdadeiramente participantes da mesma Deidade do Pai, isto é, têm em comum a essência divina e absoluta natureza. Exatamente como, entre outras coisas, é provado dos nomes divinos(a), ou títulos, também das propriedades e operações divinas(b) que são atribuídos abertamente a ambos ao longo das Sagradas Letras.
Aqui está a soma total do Credo dos Apóstolos, no qual professamos que cremos em um Deus, Pai Todo-Poderoso, etc. E em Seu Filho unigênito, etc. E, por último, no Espírito Santo.[2]
(a) Jo 1.1ss, 20.28; Rm 9.5; Cl 1.15ss; Hb 1.2s; Ap caps. 1-4, 5
(b) Is 11.1s, 63.10; 1Co 2.10ss, 3.16s, 6.19-20, 12.4 e 11; At 5.4, 13.2 e 20.28; Mt 12.31-32

4. Estas coisas são suficientes a este mistério, o qual, de fato, é totalmente necessário tratar com muita sobriedade, prudência e religiosidade. E fazer o quanto for possível, para enunciar nas próprias e expressas frases do Espírito Santo, o que julgamos ser mais seguro, visto que o Espírito de Deus conhece melhor a Si mesmo(a)  e pode expressar a Sua própria natureza mais retamente.
Todavia, na medida daquilo que é necessário e suficiente, Ele quis expressar isto a nós em Sua palavra. Por sua vez, devemos segui-la reverentemente e com maior religiosidade, até finalmente vermos e perfeitamente conhecermos o próprio Deus em pessoa(b). Então, Ele poderá ser visto e conhecido mais claramente por nós num glorioso século futuro. Isto é o suficiente sobre o próprio Deus.
(a) 1Co 2.10ss; Jo 1.18; Mt 11.27
(b) 1Jo 3.2 e 1Co 13.12




Bibliografia:
The Arminian Confession of 1621, tradutor e editor Mark Ellis (Eugene: Pickwick Publications, 2005), 105-110pp.
Confessio, sive Declaratio, Sententiae Pastorum, qui in Foederato Belgio Remonstrantes vocantur, Super praecipuis articulis Religionis Christianae. (Herder-Wiici: Apud Theodorum Danielis, 1622), 14-15pp.



[1] No original “improduzida”. O termo grego anaitios é traduzido literalmente por “incausado” (i.e. sem causa), mas a tradição latina preferiu o traduzir por “sem princípio” (N. do T.)
[2] Lutero já havia usado o mesmo Credo, ou Símbolo, dos Apóstolos em seu Catecismo Menor.
C.f. Catecismo Menor - Lutero (N. do T.)


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domingo, 24 de março de 2013

1 Timóteo 2.4 e 4.10, os calvinistas piram!


domingo, 10 de março de 2013

Da Vocação - Capítulo XVII


Capítulo XVII
Dos benefícios e promessas divinas, e principalmente da eleição à graça, ou vocação à fé.
1. Mas quanto a estes preceitos divinos, até agora explicados, o homem não consegue cumpri-los, e nem de boa vontade e de coração quer os cumprir. Todavia, Deus quis da sua parte fazer tudo o que era necessário para que essas coisas fossem realizadas no homem(a), isto é, decidiu conceder tal graça ao homem pecador, pela qual idôneo e apto volta a exercer tudo o que lhe é exigido no Evangelho. Além disso, ao prometer coisas tão boas a ele, cuja excelência e beleza de longe excedem a capacidade de intelecto humana, assim faz para que o anseio e a certeira esperança possam ascender e inflamar a vontade do homem a fim dele exercer a obediência em atos.
De fato, Deus beneficia a todos, Ele é de si mesmo clementíssimo, pois em Cristo nos tem afeição paternal. Pelo seu Santo Espírito(b) (do qual declaramos mais completamente acima) nos revela e, com efeito, também nos concede cotidianamente os Seus benefícios.
(a) Jr 31.32-34; Hb 8.8ss; Ez 11.19 e 36.27; 2Co 7.1; 2Pe 1.3-4; 1Jo 3.3; Cl 1.4-5; 1Pe 1.3-4
(b) 1Co 2.10s,12.3s; 1Jo 2.20,27; Rm 5.5,8-9
2. Então, primeiramente, Deus concede a graça(a) aos pecadores – não só a graça necessária, mas também a suficiente – para que eles possam prestar fé e obediência, quando os chama pelo Evangelho. Seja sob a promessa de vida eterna, ou ao contrário, sob a ameaça de morte eterna, Deus seriamente prescreve fé e obediência.

Essa vocação[1] é às vezes chamada de Eleição(b) nas Escrituras, a saber, a graça como meio de salvação. Isso é muito diferente da Eleição para a glória ou para a própria salvação, da qual falaremos mais sobre isso abaixo.
Essa chamada, todavia, é efetuada e executada pela pregação do Evangelho(c), junto com o poder do Espírito Santo. De fato, essa vocação tem a graciosa e séria intenção de salvar e, por isso, conduz à fé a todos(d) aqueles que são chamados, quer eles efetivamente creiam e sejam salvos ou não, e assim recusem obstinadamente a crer e a serem salvos.
(a) Mt 11.20-21; Jo 5.34,40 e 6.44-45; 2Pe 1.3-4
(b) 1Co 1.26; 2Tm 1.9; 1Pe 2.9
(c) Mt 28.18; Jo 5.34; Rm 10.14-15; 2Co 3.5-6
(d) 1Tm 2.4ss; Tt 2.11; 1Pe 1.23,25

3. Existe uma chamada eficaz(a), assim dita porque ela deriva o seu efeito salvífico a partir do evento ao invés de uma única intenção de Deus. Portanto, ela não é administrada por alguma sabedoria singular e secreta de Deus a partir de uma absoluta intenção de salvação, que se une frutuosamente com a vontade daquele que é chamado. A vontade da pessoa chamada não é eficazmente determinada a crer através de um poder irresistível ou de alguma força onipotente(b) (por exemplo, a criação ou a ressurreição dos mortos) de modo que não possa senão crer e obedecer; mas graças à convocação de Deus ao homem, já chamado e suficientemente preparado, este não resiste e também não se coloca uma barreira contra a graça divina, que de outra forma poderia ter sido posta a ele.
Ainda há outra chamada que é suficiente(c), porém ineficaz, que evidentemente, da parte do homem carece de efeito salvífico; pois é só por causa da vontade e evitável falha do homem que está infrutífera, e não pode atingir o seu desejado e devido resultado.
(a) Rm 8.28-29; 1Co 1.24,26
(b) At 2.41 e 13.48; Rm 6.17; 1Ts 2.13
(c) Pv 1.24-25; Ez 12.2; Is 5.1-4; Mt 23.37; Lc 7.30; Jo 5.40; At 7.51 e 13.46; 2Ts 3.1-2; ao contrário dos Cânones do Sínodo de Dort, caps. 3 e 4.

4. A primeira chamada quando unida com o seu efeito salvífico, ou já constituída pelo seu ato exercido, é às vezes designada na Escritura de: Conversão(a), Regeneração(b),  ressuscitar espiritual dentre os mortos(c) e nova Criação(d). Claramente, por ela fomos eficazmente convertidos de um estilo de vida corrupto para vivermos de forma justa, sóbria e piedosa(e), e fomos levantados pelo divino despertar da morte do pecado mortal(f)  – ou costume mortal de pecar – para uma vida espiritual e um modo de vida santa.
E, finalmente, sendo reformados pela eficácia espiritual da Palavra de acordo com a primeira forma de doutrina(g) e da vida de Cristo, é como se nascêssemos de novo e feitos novas criaturas(h) através do arrependimento e da verdadeira fé.
(a) At 3.19,26; 1Ts 1.9
(b) Jo 3.5ss; Tg 1.18
(c) Ef 2.6
(d) Gl 6.15; 2Co 5.17; Ef 2.10
(e) Tt 2.11-12
(f) Rm 6.2ss
(g) Rm 6.17
(h) Ef 4.24; Cl 3.10

5. O homem, portanto, não tem a fé salvífica de si mesmo(a), e nem é regenerado ou convertido pelo poder do seu livre-arbítrio. Visto que no estado de pecado ele de si mesmo, ou por si mesmo, não consegue pensar, muito menos querer ou fazer algo de bom para ser salvo(b) (a qual primeiramente é a Conversão e a fé salvífica). É necessário que Deus em Cristo(c), pela palavra do Evangelho, junto com o poder regenerador do Espírito Santo, renove totalmente o homem – a saber, no intelecto, nas emoções, na vontade, e em todas as suas forças – para que ele seja capaz de entender, meditar, querer e consumar essas coisas que são salutarmente boas.
(a) Mt 11.27,13.11 e 16.17
(b) Mt 7.17 e 12.34; Jo 6.44-45,65 e 3.5
(c) Fp 1.5-6 e 2.13, Ef 2.1; Tg 1.17-18; 1Pe 1.23

6. Afirmamos, portanto, que a graça de Deus é o princípio(a), progresso(b) e consumação(c) de todo o bem, tanto que nem mesmo um homem regenerado pode por si, sem essa precedente ou preveniente, excitante, prosseguinte e cooperante graça, pensar, querer, ou terminar qualquer bem salutar, muito menos resistir a quaisquer tentações e atrações para o mal(d).
Assim, a fé, a Conversão, todas as boas obras, e todas as ações piedosas e salutares que podem ser pensadas, devem ser atribuídas solidamente à graça de Deus em Cristo como a sua causa principal e primária.
(a) Ef 2.5,18; Tt 2.11-13 e 3.4-5; Fp 1.6
(b) Jo 15.5; 1Co 1.4ss
(c) 1Ts 5.23-24; Ef 6.13
(d) Mt 26.41; 1Co 10.13; Ef 2.4ss 

7. O homem, contudo, pode desprezar e rejeitar(a) a graça divina, resistir à sua operação, de modo que quando divinamente chamado para a fé e obediência, ele se torna incapaz de crer e obedecer a vontade divina, e isso por sua verdadeira e evitável própria culpa, seja por segura inadvertência(b), ou prejulgamento cego(c), ou zelo irrefletido(d), ou amor desordenado pelo mundo(e) ou por si mesmo(f), ou por outros motivos desse tipo(g).
Tal graça irresistível ou força – que quanto à sua eficácia não é criação, nem é geração propriamente dita, nem é ressurreição de mortos – por menor que seja (e assim cause cada ato de fé e obediência, para que através de si o homem não seja capaz de descrer ou desobedecer) certamente não pode ser aplicada onde a livre obediência é uma séria ordem, exceto de maneira equivocada e insensata. Essa obediência está sob a promessa de grande recompensa se prestada, mas sob a ameaça de pena gravíssima se negligenciada.
Todavia, inutilmente Deus ordenaria essa obediência e a solicitaria para outro fim, e sem motivos prometeria recompensar tal obediência, sendo que só Ele próprio efetua, exige, e requer cada ato de obediência através dessa força que não pode ser resistida. Consequentemente, é um absurdo irracional recompensar alguém, como verdadeiramente obediente, em quem esta obediência é efetuada por uma força alheia.
E,finalmente, uma pena, maximamente eterna, iníqua e cruel é infligida sobre a pessoa que, de modo desobediente (mas que efetivamente não é desobediente), não prestou obediência a Deus exclusivamente pela ausência da graça irresistível, visto ser ela necessária.
Agora não podemos dizer onde, aqui e ali, na Escritura se afirma de alguns: que resistiram ao Espírito Santo(h); que se julgaram indignos, ou melhor, se tornaram indignos da vida eterna(i); que rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos(j); que não quiseram ouvir(k), vir(l) e obedecer(m); que fecharam os seus ouvidos(n) e endureceram os seus corações(o); etc.
E, de outros é verdade: que eles prontamente e livremente creram(p); que obedeceram a verdade e a fé; que se mostraram atentos e dóceis; que estavam concordando com a doutrina evangélica(q), que receberam a Palavra de Deus com alegria, e que eram mais generosos nisto do que aqueles que a rejeitavam; e, finalmente, que a partir do coração escutaram a verdade, isto é, o Evangelho; etc.
Atribuir tudo isto aqueles que, de nenhum modo, podem crer ou obedecer, ou não podem sequer crer e obedecer quando chamados, é realmente muito estúpido, e claramente ridículo.
(a) Ez 12.2; Pv 1.24-25; Mt 13.19 e 23.37; At 7.51 e 13.46
(b) Mt 13.19
(c) Jo 7.3-5,52
(d) 2Co 3.13; Rm 10.1-3
(e) Lc 14.18
(f) Jo 5.44
(g) 2Co 4.4; 2Ts 3.2; 2Tm 3.2ss, 1 Jo 5.4ss
(h) At 7.51
(i) At 13.46
(j) Lc 7.30
(k) Pv 1.24-25; Ez 12.2
(l) Jo 5.40
(m) At 7.39; Rm 10.16
(n) Zc 7.11-13; Jr 5.3
(o) At 28.24; Hb 3.12-13 e 4.2; Sl 95.7-8
(p) At 2.41 e 13.47
(q) At 6.7 e 17.11; 1Pe 1.22; Rm 6.17

8. E mesmo se, verdadeiramente, houver a máxima disparidade de graça(a), certamente conforme a libérrima dispensação da vontade divina, ainda assim o Espírito Santo concederia essa graça a todos(b) – tanto em geral quanto em particular – a quem a Palavra de fé é regularmente pregada, ou pelo menos Ele está disposto a concedê-la sobre a fé ingerada deles, para gradualmente propagar a Sua suficiente conversão salvífica.
Portanto, a graça suficiente para a fé e conversão não só sucede aos que realmente creem e se convertem, mas também aos que não creem e não se convertem(c). E os que Deus chama para a fé e salvação, Ele os chama seriamente(d), isto é, não só para uma demonstração externa, ou meramente em palavras ditas (a saber, quando os seus sérios preceitos e promessas são geralmente declarados aos chamados), mas também com uma intenção sincera e não fingida de salvá-los, e vontade de convertê-los.
Deste modo, Deus nunca quis decretar qualquer reprovação absoluta precedente, ou cegueira imerecida, ou endurecimento, aos mesmos que jamais as desejariam.
(a) Rm 12.6ss; 1Pe 4.10
(b) Mt 11.21; Tt 3.4ss; 1Pe 1.23 e 2.9; 1Co 4.15; Tg 1.18, 2Co 3.6; Hb 4.12
(c) Is 65:2; Ez 18.21,Pv 1.24ss; Mt 23.37; Lucas 8.12
(d) Tt 2.11; 2Tm 1.9; 2Co 5.20 e 6.1ss; Is 5.2ss; Sl 81.13; Jo 5.34 e 10.10


Bibliografia:
The Arminian Confession of 1621, tradutor e editor Mark Ellis (Eugene: Pickwick Publications, 2005), 105-110pp.
Confessio, sive Declaratio, Sententiae Pastorum, qui in Foederato Belgio Remonstrantes vocantur, Super praecipuis articulis Religionis Christianae. (Herder-Wiici: Apud Theodorum Danielis, 1622), 55-58pp.




[1] Pode-se também traduzir por chamada (N. do T.)


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