sábado, 20 de julho de 2013

Do Conhecimento das Obras de Deus - Capítulo IV

Capítulo IV
Do Conhecimento das Obras de Deus.
1. Em segundo lugar devemos considerar as obras de Deus, através das quais Ele revela a Sua própria glória e nos comunica o que há de bom, e de algum modo exibe a Si mesmo a fim de nos ser conhecido. Por isto, elas são um fundamento construído sobre o direito e autoridade de Deus, a partir do qual Ele pode justamente nos requerer culto e normalmente assim o faz, a quem e como quer(a). Também a justiça e equidade, segundo as quais somos obrigados a render a Deus tal culto, como Ele próprio nos exige de acordo com o seu juízo(b).
(a) Ex 20; Dt 32.6; Sl 136; At 17.24; Ap 4.11
(b) Ml 1.6, 2.10

2. Deste modo as obras são consideradas sob dupla(a) abordagem: 1) como elas antes dos séculos, ou antes da fundação do mundo, foram divinamente previstas e preordenadas, as quais são normalmente chamadas pelo nome de decretos; e 2) como elas se manifestam no tempo, conforme o seu modo e ordem, já que desde a antiguidade foram estabelecidas por esse decreto divino (geral ou especial, absoluto ou condicional) com grande sabedoria, sendo elas prescritas para a execução.  Agora a partir dessa execução, e de sua razão e modo, o julgamento deve ser feito sobre os próprios decretos(b). Na verdade, tais decretos estão totalmente completos assim como a sua execução, e nem poderia ficar sem marca de inconsistência a execução se não correspondesse ao decreto, a menos que a resista ou a contrarie.
(a) At 15.18; 1Co 2.7; Ef 1.4; 2Tm 1.9; 1Pe 1.20
(b) Sl 33.11; Is 14.26-27; 46.10; Jr 18.7s

3. Deste modo, são duas as principais obras desta execução, a saber: a Obra da criação(a)  – na qual o homem ainda não existia; e a Recriação ou Redenção(b)  – na qual o homem já caído, por causa do pecado, tornou-se suscetível a morte e a condenação eterna, juntamente com todos os seus descendentes. As duas obras aderem à contínua providência de Deus, ou conservação e controle de todas as coisas(c); e elas sempre se acomodam as naturezas e propriedades das coisas criadas (exceto se algo acontecer fora do ordinário, como em milagres, etc.).
(a) Gn 1
(b) 2Co 5.17
(c) Sl 104; Ef 1.10; Cl 1


Bibliografia:
The Arminian Confession of 1621, tradutor e editor Mark Ellis (Eugene: Pickwick Publications, 2005), 53-54pp.
Confessio, sive Declaratio, Sententiae Pastorum, qui in Foederato Belgio Remonstrantes vocantur, Super praecipuis articulis Religionis Christianae. (Herder-Wiici: Apud Theodorum Danielis, 1622), 15-16pp.

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sexta-feira, 19 de julho de 2013

2. Sobre Deus ser Considerado de Acordo com a Sua Natureza

2. SOBRE DEUS SER CONSIDERADO DE ACORDO COM A SUA NATUREZA

1. Deus é bom por uma necessidade natural e interna, e não livremente; esta expressão é claramente explicada pelos termos "não constrangidamente" e "não servilmente". 

2. Deus conhece de antemão as coisas futuras através da infinidade de sua essência, e através da perfeição preeminente de sua compreensão e presciência, não que Ele as tenha desejado ou decretado a fim de que necessariamente aconteçam; contudo se Deus não as conhecesse de antemão, exceto por serem futuras, elas não seriam futuras a menos que Ele as decretasse quer as efetuando ou as permitindo. 

3. Deus ama a justiça e suas criaturas, porém ele ama a justiça mais do que as criaturas, de onde seguem duas conseqüências: 

4. A primeira, que Deus não odeia a sua criatura, a não ser por causa do pecado. 

5. A segunda, que Deus realmente não ama criatura alguma para a vida eterna, exceto quando considerada como justa, seja por justiça Legal ou Evangélica. 

6. A vontade de Deus é corretamente e utilmente distinguida entre antecedente e consequente

7. A distinção da vontade de Deus entre secreta (beneplácito) e revelada (significado) não pode suportar um rígido exame. 

8. Justiça punitiva e misericórdia não são, e nem podem ser a causa do movimento anterior (προηγουμεναι) ou final do primeiro decreto, ou de sua primeira operação. 

9. Deus é abençoado em si mesmo e no conhecimento da sua própria perfeição. Ele, portanto, não tem necessidade de nada, e nem necessita de qualquer demonstração das suas propriedades pelas operações externas: Porém, se Ele o fizer, isto concorda com a sua pura e livre vontade, contudo nesta declaração convém se observar certa ordem segundo os vários egressos de sua bondade, e isto de acordo com a prescrição de sua sabedoria e justiça.

terça-feira, 9 de julho de 2013

1. Sobre as Escrituras e Tradições Humanas

Alguns Artigos a Serem Diligentemente Examinados e Ponderados ​​Por Causa de Uma Controvérsia Concernente a Eles Surgida Dentre os Que Professam a Religião Reformada 

Estes artigos estão, em parte, negando ou afirmando de forma decisiva e, em parte, negando ou afirmando de forma dúbia, cada um dos métodos representados por alguns sinais indicativos que estão adicionados aos diferentes artigos. 

1. SOBRE AS ESCRITURAS E TRADIÇÕES HUMANAS 

1. A regra da verdade teológica não é dupla, uma primária e a outra secundária, mas é uma e simples, as Sagradas Escrituras. 

2. As Escrituras são a regra de toda a verdade divina, de si, em si, e por si; e esta é uma afirmação imprudente, "que elas são de fato a regra, mas só quando entendidas de acordo com o sentido da Confissão das Igrejas Holandesas, ou quando explicadas pela interpretação da Catecismo de Heidelberg. " 

3. Nenhum escrito compilado por homens — por um homem, por poucos homens, ou por muitos — (com exceção das Sagradas Escrituras) é αυτοπιστον [gr. autopiston] "crível por si mesmo", ou αξιοπιστον [gr. axiopiston] "digno de fé por si mesmo" e, portanto, não está isento de um exame a ser instituído por meio das Escrituras. 

4. É uma afirmação irrefletida, "que a Confissão e o Catecismo são postos em dúvida, quando são submetidos a um exame", pois eles nunca foram colocados para além do perigo de serem postos em dúvida, nem podem ser assim colocados. 

5. É tirânico e papista controlar as consciências dos homens com escritos humanos, e impedi-los de serem submetidos a um exame legítimo, mesmo sob o pretexto de tal conduta tirânica ser adotada.