sexta-feira, 18 de abril de 2014

Alguns Comentários Informais sobre a Negação do Dr. Matthew Pinson que o Arminianismo é Sinergista

Por Brian Abasciano

Aqui estão alguns comentários (agora) editados e expandidos que eu fiz no fórum privado do SEA [Society of Evangelical Arminians] sobre o artigo do Dr. Matthew Pinson, “Os Arminianos São Necessariamente Sinergistas?[1], que argumenta que o arminianismo não é realmente sinergista, mas deve ser visto como expressando um monergismo condicional.

Dr. Pinson quer falar sobre um monergismo condicional. Posso entender o seu ponto de vista, mas isto me parece uma distinção um pouco técnica demais. Ele parece definir sinergismo como envolvendo uma obra meritória ou, no mínimo, Deus e o homem trabalhando juntos para a salvação. No entanto, me parece bastante razoável usar o termo ação cooperativa. A fé é certamente uma ação e o meio pelo qual somos salvos por Deus. Mas a fé em si mesma não é monergista. Não é uma ação realizada somente por Deus. Também não é uma ação realizada somente pelo homem, pois este precisa do poder sobrenatural de capacitação de Deus para crer. Mas o homem é o principal agente no que diz respeito à fé. Deus não crê pelo homem e a fé é um ato humano. Deus capacita, mas é o homem que efetivamente crê. Entretanto, a fé não faz realmente parte da salvação em si, pois ela é o meio pelo qual a salvação é dada/recebida. A salvação é monergista no sentido de que somente Deus a realiza em resposta à fé do homem. Porém, a fé é sinergista no sentido de que ela envolve tanto a ação de Deus quanto a ação do homem. Entretanto, ela não é sinergista no sentido de que as ações do homem são meritórias. Deste modo, me parece que existe algum tipo de sinergismo envolvido no processo de salvação, sendo que a fé faz parte do processo de salvação, mesmo que não faça parte da salvação (i.e., não é algo que nos é outorgado uma vez que somos salvos). Portanto, concordo com o Dr. Pinson até certo ponto e creio que o arminianismo pode ser concebido em termos de um monergismo condicional. Entretanto, se assim for, deve-se também lembrar que fé é sinergista e que a obra monergista de Deus é condicionada à ação sinergista da fé.

Deixe-me acrescentar que sou um pouco cético quanto à abordagem que caracteriza a nossa resposta a Deus como sendo simplesmente não-resistência. Enquanto que isto soa nobre e parece glorificar a Deus por aparentemente minimizar o nosso papel e exaltar o papel de Deus, em minha opinião isto não parece se encaixar com a visão bíblica da fé. A fé bíblica não é simplesmente não resistir à ação de Deus, mas ativamente confiar nele. A fé em si não é meritória por várias razões. Citando apenas uma destas razões, ela não pode ser exercida sem a ajuda (graça) de Deus. Porém não acho que pode ser caracterizada como mera não-resistência. Poderia, entretanto, se argumentar a ideia de que ao não resistir à atração de Deus a nossa fé/confiança em Deus aconteceria a não ser que resistamos. Mas eu não vejo isto na Bíblia. No mínimo, a Bíblia não menciona especificamente esta ideia. Ela parece favorecer um modelo de influência e resposta do que um modelo de ação e não-resistência.

Em minha opinião, este tipo de distinção se distancia das categorias bíblicas e submerge profundamente em considerações filosóficas. Deixe-me dizer logo que fugir das categorias bíblicas não é necessariamente uma coisa má. Vivemos em um contexto diferente e frequentemente trabalhamos com categorias diferentes e não é necessariamente mal tentar traduzir as verdades bíblicas às nossas categorias. Na realidade, frequentemente é bom e importante fazê-lo. Também não tenho intenção de denegrir à filosofia. Ela é serva da teologia, regularmente utilizada e até necessária para se formular a teologia. Também não há problemas em se discutir questões puramente filosóficas. O que estou querendo dizer é que me parece que certa conclusão desejada – minimizar o esforço humano no processo de salvação tanto quanto possível – está sendo analisada filosoficamente em vez de se levar seriamente em consideração os dados bíblicos. Talvez possa ser argumentado que o raciocínio está seguindo a dica da ênfase da Bíblia na atividade de Deus na nossa salvação e na incapacidade humana desprovida da graça. Para mim isto parece ser abstrato e geral demais, longe dos detalhes dos dados bíblicos para justificar uma insistência neste tipo de formulação (resposta humana como apenas mera não-resistência) no processo de salvação.

No entanto, me parece que muitos arminianos gostam deste tipo de abordagem. Entendo e vejo qual é sua motivação. Simplesmente não penso que seja necessário e nem a perspectiva mais correta.




Traduzido por Kenneth Eagleton




Fonte: SEA[2]


[1] http://personaret.blogspot.com/2014/03/os-arminianos-sao-necessariamente
[2] http://evangelicalarminians.org/some-informal-comments-on-matthew-pinsons-denial-that-arminianism-is-synergistic/


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