domingo, 15 de maio de 2016

Da Ressurreição e Glorificação - Capítulo XIX

Capítulo XIX

   
 Das Promessas Divinas Pertinentes a Vida Futura ou da Ressurreição dos Mortos e Vida Eterna.

1. Os atos divinos pertinentes a vida futura são a Ressurreição da morte(a) (ou neste lugar uma súbita transformação da nossa natureza mortal) e Glorificação, ou  concessão(b) de glória celeste e vida eterna, conforme os dois últimos artigos do Credo dos Apóstolos: "Creio na ressurreição da carne e na vida eterna."

(a) 1Co 15
(b) Mt 25.31ss

2. Esta Ressurreição será no segundo e glorioso advento(a) de Jesus Cristo para o juízo universal, quando manifestadamente serão chamados todos os mortos(b) à vida, tanto justos quanto injustos(c), em seguida, aqueles que estiverem vivos, para o justo julgamento(d) do seu Pai. Todos eles(e) serão retribuídos pela qualidade e quantidade das suas obras que, em seu corpo realizaram, havendo justo galardão ou punição condigna, se forem boas ou ruins. Porque naquele tempo, ele levantará do pó da terra os seus fiéis e santos que, realmente estavam mortos(f), para a abençoada e eterna vida, e somente a estes será dado um corpo glorioso e incorruptível. Mas aqueles que estiverem vivos(g) serão transformados subitamente, quase num instante, e com os outros serão abençoados com a imortalidade.

(a) Mt 16.27,  25.31ss
(b) Ap 20.12-13
(c) At 24.15
(d) Rm 14.9-12
(e) 2Co 5.10; 2Ts 1.7ss; Mt 25.31ss
(f) 1Ts 4.16; 2Co 5.4ss; Fp 3.21
(g) 1Co 15.51ss

3. Esta forma de ressurreição, e parcial transformação, será imediatamente seguida pela bendita glorificação, que é o complemento de todos os outros atos, na qual o Senhor Jesus(a) (após ter descido do céu com palavra de ordem, com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus para o dito juízo) receberá aqueles que foram despertados pelos anjos do seu poder para estar com ele próprio nos ares, e poderosamente os levará da corrupção universal(b), ou perdição total, do mundo inteiro (então inteiramente em conflagração) para a eterna e gloriosa(c) habitação celestial (que nas Escrituras é chamada de novos céus, nova terra e  mundo futuro) e para, perpetuamente, darmos glória(d) e termos alegria inefável com ele, com Deus e, com seus santos anjos.

(a) 1Ts 4.16-17; Mt 24.30-31, 25.31ss; 1Jo 3.1ss
(b) 2Ts 1.8ss; 2Pe 3.10-11
(c) Hb 2.5; 2Pe 3.13; Ap 21.1
(d) Jo 12.26; Lc 22.29-30; Mt 25.21,23; Ap 3.12,21, 14.13, 21.23, 22.5




Bibliografia:
The Arminian Confession of 1621, tradutor e editor Mark Ellis (Eugene: Pickwick Publications, 2005), 114-115pp.

Confessio, sive Declaratio, Sententiae Pastorum, qui in Foederato Belgio Remonstrantes vocantur, Super praecipuis articulis Religionis Christianae. (Herder-Wiici: Apud Theodorum Danielis, 1622), 62pp.

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sábado, 14 de maio de 2016

Da Reprovação e Endurecimento - Capítulo XX

Capítulo XX
 Das Advertências Divinas e Punição dos Ímpios Pertinentes Tanto a Esta Vida Quanto a Vida Futura, a Saber: Reprovação, Endurecimento, Cegueira, Morte Eterna e Condenação.


1. Acerca dos ímpios e incrédulos(a) ou daqueles que inflexivelmente não querem crer e se arrepender, mesmo que tenham sido por muito tempo e por diversas vezes chamados, advertidos, repreendidos, castigados, etc., mas, ainda assim, continuam sendo desobedientes ao Evangelho, Deus quer exercer atos absolutamente contrários aos primeiros, não menos severos do que justos e santos, que em sua Palavra os tenha advertido, pertencentes em parte para esta vida e em parte para a futura.
(a) Mt 10:14-15, 11.20; Lc  19.42; Rm 2.2ss; 1Ts 1.10, 2.15-16

2. Os atos pertencentes a esta vida são a Reprovação ou Deserção, também a Cegueira e o Endurecimento e outras punições temporais deste gênero, das quais a primeira é justamente lançar fora os homens perversos, ou seja, quando(a) Deus não os deseja mais para o seu povo e, portanto, corretamente lhes retira a graça(b) do Espírito Santo que frequentemente foi rejeitada. De fato, às vezes, ele se recusa a lhes conferir os meios externos, os quais são, ordinariamente, usados para a salvação do seu povo, entregando-os as suas próprias trevas e pecados, sem pastores verdadeiros, mestres piedosos ou conselheiros e estudiosos indagadores da verdade.   
(a) Mt 8.12, 21.43; Rm 11.2,20
(b) Jo 12.35; Lc 13.24, 17.22; Mt 10.14ss; At 14.16; Ap 2.5ss

3. Então, segue-se(a) a Cegueira e o Endurecimento, ou seja, quando estes pecadores agora destituídos da luz da verdade celestial são, pela permissão e justo juízo de Deus, profundamente envolvidos em crassa(b) ignorância e erros, seduzidos subitamente e de vários modos, a saber, quando(c) eles são entregues aos seus desejos impuros, ou são permitidas as suas paixões infames, ou são expostos por todos os lados às tentações, ilusões e armadilhas de Satanás(d), ou também quando os seus conselhos, esforços e práticas reprováveis(e) são deixados a fluir por um tempo com algum desfecho feliz, enquanto impunemente pecam e, por fim, quando são expostos a múltiplas oportunidades(f) de errar e pecar, ao passo que as suas consciências(g) não são estimuladas para algum remorso triste ou séria dor por seus pecados cometidos, etc. Realmente, todas essas coisas e muitas desse gênero os homens profanos costumam converter para sua destruição. Por isso, eles crescem mais e mais em uma súbita cegueira da mente, pertinaz dureza da alma e infame prática de pecados e, finalmente, em densas e crassas trevas, ou seja, todos eles são tomados e ocupados por uma bruta ignorância de Deus e uma segura profanidade de vida E, de fato, uma vez que outra estes atos são seguidos por uma punição exemplar(h) e pública destes homens nesta vida, ocorrendo diante dos olhos de todos.
(a) Is 6.9; Mt 13.14-15; Jo 12.40; At 28.16
(b) Rm 9.18, 11.8
(c) Rm 1.24-26ss
(d) 2Co 4.4; 2Ts 2.12
(e) Sl 10.4ss, 73.4ss; Jr 44.17-18; Dt 32.14-19
(f) Ez 14.5-9; Is 63.16-17
(g) Ef 4.19; Rm 11.8
(h) Ex 9.16; At 5.5, 12.23; 1Co 10.1-5; 2Pe 2.5-6; Jd 4-5     
4. Os atos penais pertinentes à vida futura estão usualmente contidos nas palavras de ira e vingança divina, igualmente o julgamento(a) e a condenação, pelos quais Deus(b) não só irrevogavelmente privará os ímpios e incrédulos da glória imortal(c), mas também infligirá tormentos infernais e punições eternas. Realmente, isto será feito abertamente no último dia, quando eles serão lançados, juntamente com o diabo e os seus anjos, no fogo eterno, onde eles pagarão(d) a pena de destruição eterna, expulsos da face de Deus e do seu glorioso poder.
(a) Mc 3.29; Rm 2.5; 2Ts 1.5; 2Pe 2.9, 3.7; Jd 7
(b) Rm 5.16, 8.1
(c) Mt 8.12, 22.13, 25.41-46
(d) Mt 25.41; Jd 7; 2Ts 1.9

5. Mas estando todas estas coisas consumadas, imediatamente(a) um novo mundo emergirá, no qual habita a justiça, e onde Jesus Cristo restaurará com todos os seus o reino(b) do seu Deus e Pai, para que Deus seja tudo em todos.
(a) 2Pe 3.13; Ap 21.1ss, 22.1ss
(b) Ap 2, 3; 1Co 15.24ss

Bibliografia:
The Arminian Confession of 1621, tradutor e editor Mark Ellis (Eugene: Pickwick Publications, 2005), 115-117pp.
Confessio, sive Declaratio, Sententiae Pastorum, qui in Foederato Belgio Remonstrantes vocantur, Super praecipuis articulis Religionis Christianae. (Herder-Wiici: Apud Theodorum Danielis, 1622), 63-34pp.


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