terça-feira, 21 de março de 2017

Presidente do seminário: calvinistas se mandem daqui!


Bob Allen

O presidente do Seminário Batista do Sul disse em 29 de novembro que os batistas que adotam a teologia e a prática calvinista  devem considerar juntar-se a outra denominação. 

"Eu sei que há um bom número de vocês que pensam que são calvinistas, mas entendam que há uma denominação que representa essa visão," disse Paige Patterson, presidente do Seminário Teológico Batista do Sudoeste, no encerramento do culto de terça-feira. "Ela se chama presbiteriana." 

"Tenho grande respeito por eles," disse Patterson. "Muitos deles, a vasta maioria deles, são irmãos em Cristo, e eu honro sua posição, mas se eu me mantivesse nessa posição eu me tornaria um presbiteriano. Eu não continuaria sendo um batista, porque a posição batista vem desde a época dos anabatistas, realmente desde o tempo do Novo Testamento, é muito diferente." 

Patterson, co-engenheiro do assim chamado ressurgimento conservador na Convenção Batista do Sul nas últimas duas décadas do século 20, comentou imediatamente após o orador da capela Rick Patrick terminar o sermão da manhã. 

Patrick, diretor executivo do Connect316  um grupo formado no verão de 2013 para contrabalançar um número de novas organizações promotoras da perspectiva neo-calvinista  defendeu que o debate na Convenção Batista do Sul sobre o calvinismo não é apenas sobre uma questão pontual de como as pessoas são salvas. 

"Porque as Institutas de Calvino abordam um amplo espectro de categorias teológicas, estamos realmente debatendo muito mais do que apenas a questão pontual da salvação," disse Patrick, pastor sênior da Primeira Igreja Batista em Sylacauga. "Se não tivermos cuidado uma miríade de crenças e práticas relacionadas irão entrar em nosso campo, escondidas dentro do Cavalo de Tróia do calvinismo." 

Patrick disse que o neo calvinismo e a posição "tradicionalista" defendida no passado por ex-líderes da CBS, como Herschel Hobbs e Adrian Rogers, são "duas teologias sistemáticas concorrentes" com desacordos tão básicos quanto se o Pai celestial é um Deus de amor. 

"Se Deus escolheu, ativamente ou passivamente, antes da fundação do mundo colocar os réprobos incondicionalmente numa categoria da qual eles jamais podem escapar, então isso é, como Calvino admitiu, um decreto terrível," disse Patrick. "Eu nunca esquecerei a primeira vez que um calvinista me olhou diretamente nos olhos e disse que Deus não ama todo mundo. Fiquei sem palavras e, francamente, isso não acontece muito." 

Aqui está o problema de Patrick: 

"Alguns neo-calvinistas, até mesmo pastores, fumam muito abertamente cachimbos e charutos, assim como bebem cerveja, vinho," disse Patrick. "Eles talvez até mesmo fermentem em casa a própria cerveja, tentando usá-la como uma extensão para se identificar com outros fumantes e bebedores." 

"O pecado não é uma forma de evangelismo", comentou Patrick.


Fonte: Jesus Creed

domingo, 5 de março de 2017

O Inadequado Precedente Histórico para "Uma vez salvo, sempre salvo"

Aparição de Cristo a Maria Madalena - Alexander Ivanov, 1835.

O Inadequado Precedente Histórico para
"Uma vez salvo, sempre salvo"

Steve Witzki

John Jefferson Davis escreveu um artigo intitulado: “A Perseverança dos Santos: Uma História da Doutrina” [Journal of Evangelical Theological Society 34: 2 (Junho de 1991)]. Três coisas tornam este artigo de grande valor. Primeiro, ele foi escrito por um renomado e altamente respeitado teólogo calvinista. Segundo, ele abrange as pessoas chave e os grupos religiosos sobre o tema. Terceiro, ele demonstra que o “uma vez salvo, sempre salvo” ou segurança eterna incondicional não era uma doutrina que foi ensinada pela igreja antiga e, nem de forma alguma, por qualquer teólogo renomado antes de João Calvino. Essa doutrina é, de fato, completamente estranha na história do cristianismo.

Embora a primeira discussão extensa sobre a doutrina da perseverança dos santos se encontre no Tratado sobre o Dom da Perseverança de Agostinho, escrito em torno de 429 d.C., Agostinho acreditava que era possível experimentar a graça justificadora de Deus e ainda não perseverar até o fim. Agostinho acreditava que os eleitos de Deus certamente perseverariam até o fim, mas ele negou que uma pessoa pudesse saber que estava entre os eleitos e também advertiu que era possível ser justificado, mas não estar entre os eleitos. Não até Calvino conectar tudo: eleição incondicional, regeneração permanente e a certeza da perseverança final.

James Akin, um teólogo católico, disse em um debate com o teólogo calvinista James White que ninguém antes de Calvino ensinou que a predestinação à graça acarreta automaticamente a predestinação à glória.

Você pode verificar isso por si mesmo. Eu fiz isso. Pesquisei em vários livros e liguei para meia dúzia de seminários calvinistas, conversando com seus teólogos sistemáticos e professores de história da igreja, e ninguém pode nomear uma pessoa antes de Calvino, que ensinou essa tese. Todos disseram que Calvino foi o primeiro. Cheguei a ligar para John Jefferson Davis, um erudito que publicou um artigo no Journal of the Evangelical Theological Society sobre a história desta doutrina, um homem que é ele mesmo um calvinista, mas que pesquisou a história desta doutrina completamente, e ele disse que Calvino foi o primeiro a ensiná-la.

Isto coloca um problema até mesmo aos que afirmam tirar os seus ensinamentos exclusivamente da Escritura, ou seja, “Como poderia uma doutrina tão importante – se for verdadeira – permanecer completamente desconhecida pelos primeiros 1500 anos da história da Igreja e, se Jesus  tivesse voltado em algum momento, entre estes três quartos de toda a história da Igreja?”

Outras importantes doutrinas têm sido conhecidas por toda a história cristã. Os cristãos sempre souberam, mesmo quando os hereges a negavam, que Jesus Cristo era Deus. Os cristãos sempre souberam, mesmo quando os hereges a negavam, que Jesus Cristo é plenamente homem e plenamente Deus. E os cristãos sempre souberam, mesmo quando os hereges a negavam, que eram salvos puramente pela graça de Deus.

Então, quando se descobre que os cristãos nunca souberam que os verdadeiros cristãos jamais podem apostatar e, então, de repente, 1500 anos depois, alguém começa a reivindicá-la, é preciso se perguntar quem está transmitindo o verdadeiro ensinamento dos apóstolos e quem está ensinando a heresia. “Todos os Verdadeiros Cristãos Estão Predestinados a Perseverar?”

As observações de Akin são precisas e problemáticas para os estudiosos calvinistas. Além disso, o calvinista não se sai melhor quando se olha ainda mais profundamente para o que os primeiros cristãos acreditavam a respeito deste assunto. Em 1998, Hendrickson Publishers publicou A Dictionary of Early Christian Beliefs: A Reference Guide to More than 700 Topics Discussed by the Early Church Fathers. Sob o tópico da “Salvação”, encontramos a pergunta: “Os que estão salvos jamais podem se perder?” Depois de várias passagens bíblicas serem citadas [2 Cr 15.2; Ez 33.12; Mt 10.22; Lc 9.62; 2Tm 2.12; Hb 10.26; 2Pe 2.20-21], cinco páginas de citações são dadas a partir dos escritos dos primeiros líderes cristãos. Estas citações dão a evidência de que a igreja primitiva não acreditava em “uma vez salvo, sempre salvo.” Eles ensinaram que era possível para um crente genuíno rejeitar a Deus e acabar eternamente separado de Deus no inferno [pp. 586-591].

David Bercot, editor deste dicionário, também escreveu um livro provocativo chamado, Will the Real Heretics Please Stand Up?  É preciso que a igreja evangélica de hoje, tanto em seu estilo de vida quanto ensino, olhe para isto à luz do ensino cristão primitivo. Esse é um livro interessante que vem de alguém que leu todas as obras dos Pais Pré-Nicenos mais de uma vez. Ele escreve,

Visto que os primeiros cristãos acreditavam que nossa fé e obediência contínuas são necessárias para salvação, naturalmente segue que eles acreditavam que uma pessoa “salva” poderia ainda acabar se perdendo. Por exemplo, Irineu, o pupilo de Policarpo, escreveu: “Cristo não morrerá novamente em favor daqueles que agora cometem pecado porque a morte não mais terá domínio sobre Ele... Portanto, não devemos estar inchados... Mas devemos ter cuidado para que, de alguma forma, depois de [termos vindo ao] conhecimento de Cristo, se fizermos coisas desagradáveis ​​a Deus, não obtermos mais perdão dos pecados, mas sim sermos excluídos de Seu reino” (Hb 6.4-6) [p. 65].

O que a Igreja Cristã acreditou historicamente a respeito da segurança do crente não é o teste final para determinar a nossa posição sobre esta questão hoje, mas a falta de precedentes históricos deve servir como um aviso. Antes de João Calvino, o ensino da segurança eterna incondicional não era uma doutrina que foi ensinada pela igreja universal através dos séculos. Portanto, enquanto as Escrituras são o teste final para a verdade sobre esta questão, “uma vez salvo, sempre salvo”, os professores precisam reconhecer que sua doutrina é historicamente uma anomalia. Além disso, a marca do ensino “uma vez salvo, salvo sempre” que diz às pessoas que elas podem parar de acreditar e ainda estar no seu caminho para o céu (mas com menos recompensas) não se encontra em nenhum lugar no cristianismo histórico antes do século XX.




Fonte: The Arminian

Postado originalmente em: Paleo-Ortodoxo

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quarta-feira, 1 de março de 2017

É compatível a teologia arminiana com o conhecimento médio?

A Queda: Adão e Eva - Rafael.

Por Roger E. Olson

Um dos impulsos mais básicos do arminianismo é que Deus não é o autor do pecado e do mal – mesmo que indiretamente. Sobre isto virtualmente todos os conhecedores a respeito da teologia arminiana concordam. O determinismo divino, a crença que Deus diretamente ou indiretamente determina tudo o que acontece de acordo com um plano determinado foi rejeitado por Armínio e tem sido rejeitado por todos arminianos desde então. Eu demonstrei isso em Teologia Arminiana: Mitos e Realidades e Contra o Calvinismo.  A teologia arminiana e o determinismo são como água e óleo; eles não se misturam. A razão deles não se misturarem é por causa do Grundmotif arminiano que é a bondade de Deus. Se o determinismo for verdade, a queda e todas as suas consequências, incluindo o inferno eterno, são parte do plano de Deus e se tornam necessários por Deus mesmo que apenas indiretamente.

Em um agora famoso e muito discutido artigo em Sixteenth Century Journal (XXVII:2 [1996]: 337-352) o teólogo holandês Eef Dekker perguntou “Armínio foi um molinista?” e sua resposta foi afirmativa. (Molinismo é, naturalmente, sinônimo da crença no conhecimento médio.) Vários dos principais estudiosos de Armínio concordaram. O teólogo reformado Richard Muller concordou em God, Creation, and Providence in the Thought of Jacob Arminius (Baker, 1991). (Ele chegou à mesma conclusão que Dekker.) O teólogo holandês William den Boer concorda em God’s Twofold Love: The Theology of Jacob Arminius (1559-1609) (Vandenhoek & Ruprecht, 2010). Agora, em dois estudos recentes da teologia de Armínio três teólogos americanos concordam. (Estarei respondendo aos dois livros deles em uma conferência profissional em novembro, então não irei nomeá-los ou abordar seus argumentos diretamente agora.)

Então parece que há um consenso se desenvolvendo que o próprio Armínio foi um “protestante molinista” e talvez tenha realmente introduzido o molinismo, conhecimento médio, na teologia protestante. (Molina foi um católico contemporâneo de Armínio.) Contudo, outros estudiosos de Armínio não têm tanta certeza. Um dos estudos mais acadêmicos e exaustivos da teologia de Armínio é a dissertação de doutorado de William G. Witt, para a Universidade de Norte Dame, a qual eu usei extensivamente em Teologia Arminiana: Mitos e Realidades. Witt defendeu que Armínio mencionou, mas não usou o conhecimento médio. Outro estudioso de Armínio que concorda com Witt é F. Stuart Clarke, autor de The Ground of Election: Jacob Arminius’ Doctrine of the Work and Person of Christ (Paternoster, 2006).

Sem dúvidas alguém pode encontrar referências ao conhecimento médio nos escritos de Armínio. A questão é se ele se baseou no conhecimento médio para reconciliar a presciência de Deus com o livre arbítrio (e não há dúvidas que ele acreditava no libre arbítrio libertário) e se usou o conhecimento médio para explicar a soberania de Deus no governo providencial de todo o universo incluindo as decisões e ações de criaturas livres.

Dekker defende que, ao usar o conhecimento médio, Armínio inconsistentemente caiu no determinismo. Den Boer admite que mesmo se Armínio usar o conhecimento médio isto não implicaria em determinismo, isto levantou algumas questões sérias a respeito da consistência de Armínio – especialmente no campo prático. Isto é, mesmo se o conhecimento médio não implique em determinismo, ele transmite a impressão, pelo menos aos não doutos, que suas vidas estão predeterminadas.

Eu já discuti aqui antes que crer no conhecimento médio de Deus, que o conhecimento pelo qual Deus sabe não apenas o que acontecerá, mas também o que aconteceria, não só o que criaturas livres farão, mas o que elas fariam livremente em alguma situação possível, conjunto de circunstâncias, não é em si e de si mesmo inconsistente com os impulsos básicos do arminianismo que têm a ver com a bondade de Deus (seu “duplo amor”). Contudo, eu defendi, e continuo mantendo que, uma vez que alguém crê que Deus usa o conhecimento médio para tornar certo o que cada criatura faz o que elas fazem ao criá-las e colocá-las em circunstâncias onde ele sabe que elas farão “livremente” alguma coisa, então o determinismo está à porta, se não na sala de estar e isso é inconsistente com os impulsos básicos do arminianismo. Isto faz de Deus o autor do pecado e do mal mesmo se apenas inadvertidamente.

A fim de testar isto temos que voltar a primeira desobediência – a queda de Adão e Eva. A questão não é se Deus sabia que eles desobedeceriam, mas se Deus tornou certo este ato de desobediência.

Os defensores do conhecimento médio geralmente se apoiam na distinção entre “certo” ou “infalível” e “necessário,” com somente o último tornando Deus o autor do pecado e do mal. O argumento é que Deus usa o conhecimento médio para tornar a queda certa, mesmo que infalivelmente (isto poderia não ter acontecido dado a presciência de Deus do que Adão e Eva fariam e da sua criação e colocação deles nessa situação) não torne a queda necessária.

Eu me inclino a achar que isso é uma distinção sem diferença.

Esse uso do conhecimento médio, providencialmente torna a queda certa, necessariamente implica em um plano da mente de Deus que torna a queda não só parte da vontade consequente de Deus, mas também parte da sua vontade antecedente. E, como todos sabem e concordam, a distinção entre a vontade consequente e antecedente de Deus é crucial para o argumento do arminianismo de que Deus não é autor do pecado e do mal.

Por que Deus usaria seu conhecimento médio providencialmente? E por que ele usaria isto em tudo se não para o propósito de providência meticulosa?

Muitos calvinistas usam o molinismo, conhecimento médio, para “explicar” a predestinação e reprovação a fim de conseguir Deus “fora do gancho,” por assim dizer, como o não autor do pecado e do mal. Eu acho isso, por exemplo, de Millard Erickson e Bruce Ware – dois calvinistas evangélicos que usam conhecimento médio como a “chave” para reconciliar soberania de Deus e livre arbítrio humano. Contudo, eles pelo menos admitem que sua visão de livre arbítrio é compatibilista – que o livre arbítrio é compatível com o determinismo.  Em outras palavras, se o meu argumento está correto, eles “conseguiram isto” – o conhecimento médio usado por Deus para vantagem providencial exige uma visão compatibilista de livre arbítrio.

Com o melhor do meu conhecimento nenhum arminiano reivindica crer em compatibilismo; todos abraçam o livre arbítrio libertário.

Mas, para mim, ao menos, o livre arbítrio libertário significa “a capacidade de fazer o contrário do que alguém faz.”

Agora, reconhecidamente, os crentes arminianos no conhecimento médio, incluindo os que creem que Deus usa o conhecimento médio para tornar certas as decisões e ações das criaturas de acordo com um plano, reivindicam crer que as criaturas que pecam o fazem com liberdade libertária. Em outras palavras, eles poderiam fazer o contrário. Bem, pelo menos Adão e Eva poderiam ter feito o contrário de desobedecer a Deus. (O cenário fica mais complicado para sua posteridade sob os efeitos da queda.) Mas eles poderiam ter feito o contrário?

Se o conhecimento médio é verdade e Deus o usa para uma vantagem providencial, como Richard Muller diz, oferecendo incentivos para as criaturas que Deus sabe que seguirão dadas suas disposições e inclinações, então Deus não está apenas “no controle”, mas “realmente controlando” todas as coisas incluindo a desobediência de Adão e Eva. Eles não poderiam ter feito o contrário, mesmo que o fizessem “livremente”. Essa é a essência do compatibilismo!

Vamos usar uma ilustração. Suponha que eu conheça um dos meus alunos tão bem que eu sei (além de qualquer possibilidade de estar errado) que, se eu o orientar a ler um determinado livro, ele entenderá mal o assunto do nosso curso e será reprovado. Sem o livro, ele seria aprovado no curso. Porém eu o oriento a ler o livro. Por quê? Bem, talvez porque eu precise de alguém seja reprovado no curso. Eu não tenho variação de notas e o deão está preocupado que eu não estou mantendo os padrões acadêmicos. Todos os meus alunos são aprovados com as melhores notas. Minha carreira está em perigo, assim como a credibilidade acadêmica da escola. Então, eu uso o meu conhecimento médio das disposições e inclinações para trazer o aluno infalivelmente a reprovação do curso. Nada que eu fiz excluiu o seu livre arbítrio. Ele leu o livro voluntariamente (nenhuma coerção externa foi usada, apenas indução). (Nota: Nada disso aconteceria, é puramente hipotético.)

Agora, quem é realmente responsável pelo, o “autor do”, aluno ser reprovado no curso?

Pode ser razoavelmente dito que, tornando certo a sua reprovação, usando o meu conhecimento médio, eu não a torno necessária?

Agora, não há assunto em apelar à liberdade de Deus fazer o que quer que ele quer fazer. Este é um debate entre arminianos e arminianos, seguindo Armínio, não são nominalistas. Todos nós concordamos que Deus é essencialmente bom por natureza e não pode simplesmente fazer qualquer coisa capaz de ser posta em palavras. Nenhum arminiano informado diria: “Tudo o que Deus faz é automaticamente bom, só porque Deus o faz.” Então essa objeção ao meu cenário não é relevante para este contexto – um debate entre arminianos.

Tenho a tendência de concordar com Eef Dekker, contra vários dos principais estudiosos de Armínio, que se Armínio usou o conhecimento médio para explicar a soberania de Deus, então ele inconscientemente se contradisse. Ele contradisse o seu próprio princípio mais básico, que é que Deus não é de modo algum o autor do pecado e do mal. Ele involuntariamente caiu no determinismo nesse ponto e não deveria ter se baseado no conhecimento médio. Por que ele fez uso, se ele fez, é uma questão separada. Eu acho que respostas razoáveis ​​podem ser imaginadas (tendo a ver com seu desejo de construir pontes entre ele e seus críticos).

Então o que isso significa para arminianos? Eu certamente não direi que é impossível ser arminiano e molinista. O que direi é que, na minha opinião, o molinismo é um corpo estranho no arminianismo, mesmo se o próprio Armínio o usasse! Se ele o fez, foi um corpo estranho em sua própria teologia, no sentido de que ele estava em conflito com seus próprios compromissos básicos de crença sobre a bondade de Deus, Deus não sendo em nenhum sentido o autor do pecado e do mal, e o livre arbítrio das criaturas (especialmente em desobediência).

Ninguém deveria se surpreender se um teólogo cai em contradição consigo mesmo às vezes – especialmente se ele (ou ela) escreve muito durante um longo período de tempo. Eu sou um teólogo histórico e estudei as teologias de virtualmente todos os grandes teólogos cristãos de Irineu a Pannenberg (e além). Em cada caso eu encontro alguma tensão, algum elemento de conflito dentro do próprio sistema do teólogo.

Além disso, ser arminiano não exige concordância absoluta com Armínio. Se fosse esse o caso, ele teria sido o único arminiano (e talvez nem mesmo ele fosse!).







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