sábado, 14 de maio de 2016

Da Reprovação e Endurecimento - Capítulo XX

Capítulo XX
 Das Advertências Divinas e Punição dos Ímpios Pertinentes Tanto a Esta Vida Quanto a Vida Futura, a Saber: Reprovação, Endurecimento, Cegueira, Morte Eterna e Condenação.


1. Acerca dos ímpios e incrédulos(a) ou daqueles que inflexivelmente não querem crer e se arrepender, mesmo que tenham sido por muito tempo e por diversas vezes chamados, advertidos, repreendidos, castigados, etc., mas, ainda assim, continuam sendo desobedientes ao Evangelho, Deus quer exercer atos absolutamente contrários aos primeiros, não menos severos do que justos e santos, que em sua Palavra os tenha advertido, pertencentes em parte para esta vida e em parte para a futura.
(a) Mt 10:14-15, 11.20; Lc  19.42; Rm 2.2ss; 1Ts 1.10, 2.15-16

2. Os atos pertencentes a esta vida são a Reprovação ou Deserção, também a Cegueira e o Endurecimento e outras punições temporais deste gênero, das quais a primeira é justamente lançar fora os homens perversos, ou seja, quando(a) Deus não os deseja mais para o seu povo e, portanto, corretamente lhes retira a graça(b) do Espírito Santo que frequentemente foi rejeitada. De fato, às vezes, ele se recusa a lhes conferir os meios externos, os quais são, ordinariamente, usados para a salvação do seu povo, entregando-os as suas próprias trevas e pecados, sem pastores verdadeiros, mestres piedosos ou conselheiros e estudiosos indagadores da verdade.   
(a) Mt 8.12, 21.43; Rm 11.2,20
(b) Jo 12.35; Lc 13.24, 17.22; Mt 10.14ss; At 14.16; Ap 2.5ss

3. Então, segue-se(a) a Cegueira e o Endurecimento, ou seja, quando estes pecadores agora destituídos da luz da verdade celestial são, pela permissão e justo juízo de Deus, profundamente envolvidos em crassa(b) ignorância e erros, seduzidos subitamente e de vários modos, a saber, quando(c) eles são entregues aos seus desejos impuros, ou são permitidas as suas paixões infames, ou são expostos por todos os lados às tentações, ilusões e armadilhas de Satanás(d), ou também quando os seus conselhos, esforços e práticas reprováveis(e) são deixados a fluir por um tempo com algum desfecho feliz, enquanto impunemente pecam e, por fim, quando são expostos a múltiplas oportunidades(f) de errar e pecar, ao passo que as suas consciências(g) não são estimuladas para algum remorso triste ou séria dor por seus pecados cometidos, etc. Realmente, todas essas coisas e muitas desse gênero os homens profanos costumam converter para sua destruição. Por isso, eles crescem mais e mais em uma súbita cegueira da mente, pertinaz dureza da alma e infame prática de pecados e, finalmente, em densas e crassas trevas, ou seja, todos eles são tomados e ocupados por uma bruta ignorância de Deus e uma segura profanidade de vida E, de fato, uma vez que outra estes atos são seguidos por uma punição exemplar(h) e pública destes homens nesta vida, ocorrendo diante dos olhos de todos.
(a) Is 6.9; Mt 13.14-15; Jo 12.40; At 28.16
(b) Rm 9.18, 11.8
(c) Rm 1.24-26ss
(d) 2Co 4.4; 2Ts 2.12
(e) Sl 10.4ss, 73.4ss; Jr 44.17-18; Dt 32.14-19
(f) Ez 14.5-9; Is 63.16-17
(g) Ef 4.19; Rm 11.8
(h) Ex 9.16; At 5.5, 12.23; 1Co 10.1-5; 2Pe 2.5-6; Jd 4-5     
4. Os atos penais pertinentes à vida futura estão usualmente contidos nas palavras de ira e vingança divina, igualmente o julgamento(a) e a condenação, pelos quais Deus(b) não só irrevogavelmente privará os ímpios e incrédulos da glória imortal(c), mas também infligirá tormentos infernais e punições eternas. Realmente, isto será feito abertamente no último dia, quando eles serão lançados, juntamente com o diabo e os seus anjos, no fogo eterno, onde eles pagarão(d) a pena de destruição eterna, expulsos da face de Deus e do seu glorioso poder.
(a) Mc 3.29; Rm 2.5; 2Ts 1.5; 2Pe 2.9, 3.7; Jd 7
(b) Rm 5.16, 8.1
(c) Mt 8.12, 22.13, 25.41-46
(d) Mt 25.41; Jd 7; 2Ts 1.9

5. Mas estando todas estas coisas consumadas, imediatamente(a) um novo mundo emergirá, no qual habita a justiça, e onde Jesus Cristo restaurará com todos os seus o reino(b) do seu Deus e Pai, para que Deus seja tudo em todos.
(a) 2Pe 3.13; Ap 21.1ss, 22.1ss
(b) Ap 2, 3; 1Co 15.24ss

Bibliografia:
The Arminian Confession of 1621, tradutor e editor Mark Ellis (Eugene: Pickwick Publications, 2005), 115-117pp.
Confessio, sive Declaratio, Sententiae Pastorum, qui in Foederato Belgio Remonstrantes vocantur, Super praecipuis articulis Religionis Christianae. (Herder-Wiici: Apud Theodorum Danielis, 1622), 63-34pp.


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