domingo, 4 de maio de 2014

O Calvinista – Paródia

Vejo-o de joelhos no chão,
Ouço sempre a sua oração,
Mesmo que ele não saiba o porquê,
Tudo está decretado, fazer o quê?

Vejo-o na Escritura,
Exegeticamente sem estrutura,
Efésios 1 o faz ‘Predestinado’:
Como não se sentir um afortunado?

Vejo-o com os seus cadernos:
Vasculhando um calvinista ao menos,
Que seja um bom explanador,
Que explique por que Deus precisaria da nossa dor.

Vejo-o com sua caneta:
Sublinhando Turretini na caderneta,
Anotando o Sínodo de Dort,
Pensando se a escolástica lhe dá suporte.

Vejo-o na praça,
Sua teologia não tem graça.
“Deus ama a todos sem favorecimentos”
“Menos se você for um dos não eleitos.”

Vejo-o nas ruas,
A todos ele saudará: não o obstruas,
‘Incansável e reformado’,
O pecador será desdenhado.

Vejo-o nas disputas,
Citando as Institutas,
Só o eleito ouvirá,
Mas Deus nos manipular não irá.

Vejo-o no seu ofício,
Erros resultam em malefício,
A todos foi decretado,
Alguém da eternidade será privado.

Vejo-o na sua refeição,
Jamais ele fala com irritação,
Na graça permanece para não ser inadequado,
Mesmo estando cru o seu linguado.

Vejo-o com o seu filhinho no colo,
Perguntando-se em todo lugar
“Será que Deus tem algum protocolo...
Que garanta a ele o seu amar?”

Vejo-o com sua mulher
Na sua relação ninguém mete a colher
Sim, por ela ele está apaixonado,
Então, ela só lerá livro reformado!

Vejo-o vaguear. Ele murmura.
‘eleito incondicionalmente’, que caradura!
O que eu devo fazer?
Que irracionalidade!

Vejo-o lamentar,
Sua atitude não seria incoerente?
Sim, quando está a proclamar,
Aquele mistério que confunde a mente.

Vejo-o adorando,
Em voz alta, quase berrando,
Que Deus seja glorificado,
Ao torna-lo um reprovado.

Vejo-o na praia,
Todos lhe reconhecem como atalaia.
Antes de enfrentar o mar com uma chulipa
Recita versos da tulipa.

Vejo-o agora dormir,
Acredita que nunca irá cair,
Exceto se for trapaceado
Por aquele a quem havia acreditado.

Vejo-o moribundo,
Sussurrando profundo:
“Queria ter a aceito...
Que fui... de Deus um eleito!”



Versão em português de “The Calvinist – A Harmless Parody

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3 comentários:

António Jesus Batalha disse...

Seu blog é encantador, estive a ver e ler algumas coisas, não li muito, porque espero voltar mais algumas vezes,mas deu para ver a sua dedicação e sempre a prendemos ao ler blogs como o seu. Se me der a honra de visitar e ler algumas coisas no Peregrino e servo ficarei radiante, e se desejar deixe um comentário. Abraço fraterno.António.
António.

Bruno Bardon disse...

Muito Bom!!

André Tomé disse...

Fantástico!

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