domingo, 1 de agosto de 2010

Respostas a frequentes questões calvinistas


Respostas a frequentes questões calvinistas

Por Kevin Jackson

Algumas respostas a frequentes questões calvinistas:

1. Porque algumas pessoas acreditam em Jesus e outras não?
2. O homem está morto. Então, como pode essa pessoa crer ou fazer alguma coisa?
3. Se o homem está morto em pecado, como ele pode crer sem a graça de Deus?
4. Se o homem pode fazer escolhas, estão a soberania de Deus é fraca?
5. Se o homem pode fazer escolhas, então como pode Deus ter conhecimento do futuro?
6. Agora [inserir a lista de versículos bíblicos] prove que o calvinismo é verdade!
7. A teologia arminiana não levaria à vanglória, já que o homem contribui para sua salvação?

1)Porque algumas pessoas acreditam em Jesus e outras não?

R: Esta questão assume um quadro determinista. Cada pessoa é um ser único, a quem Deus deu capacidade de fazer suas próprias escolhas ex nihilo. Uma pessoa crê e outra não, pois uma escolheu crer e a outra não.

2) O homem está morto. Então, como pode essa pessoa crer ou fazer alguma coisa?

R: Esta é uma definição “não-bíblica” de morte. Morte não significa “incapaz de responder”, pelo contrário, significa “separado de Deus”. Na parábola do filho pródigo (Lucas 15.11-32), o pai declara “... esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.” (ARA - Lucas 15.32). O filho foi capaz de tomar algumas decisões, incluindo a decisão de voltar para casa. Porém, ele estava separado da relação com o seu pai, e dependente do seu pai para a reconciliação. Estar morto é estar separado de Cristo. Estar vivo é estar relacionado com Cristo. Fazer escolhas não dão a capacidade de se reconciliar com Cristo, sem o seu consentimento.

3) Se o homem está morto em pecado, como ele pode crer sem a graça de Deus?

R: Esta é uma declaração que concorda plenamente com os arminianos! Os arminianos acreditam na graça preveniente, que Deus está no processo de guiar os não crentes a si mesmo. É o propósito de Deus que permite que o pecador creia. Divergimos dos calvinistas quando: a) Cremos que a Escritura ensina que Deus dá uma porção de graça genuína para todos (Tito 2.11[1]), e b) Cremos que a graça é resistível (João 5.34,39-40).

4) Se o homem pode fazer escolhas, estão a soberania de Deus é fraca?

R: A soberania não é sinônimo de determinismo ou controle meticuloso. Pelo contrário, ela significa que Deus faz o que lhe agrada (Salmos 115.3). Deus se agrada em dotar a humanidade com uma porção de genuína liberdade. A.W. Tozer disse assim:

“Deus soberanamente decretou que o homem deveria ser livre no exercício da moral, e o homem no princípio teve que cumprir o decreto, fazendo sua escolha entre o bem e o mal. Quando o homem escolheu o mal, ele não negou a vontade soberana de Deus, mas ele a cumpriu, na mediada em que o decreto eterno não decidia qual a escolha que o homem faria, mas que ele deveria ver livre em fazê-la. Se Deus em sua absoluta liberdade quis dar ao homem liberdade limitada, quem é que vai parar a sua mão ou dizer, “o que estás fazendo?” o arbítrio do homem é livre porque Deus é soberano. Um Deus menos soberano não conceberia liberdade moral em suas criaturas. Ele estaria com medo de fazê-lo”.[2]


5) Se o homem pode fazer escolhas, então como pode Deus ter conhecimento do futuro?

R: Os arminianos acreditam que Deus pode conhecer suas escolhas sem que as cause. Alguns arminianos acreditam que Deus existe fora do tempo e vê o futuro como presente (The Eternal Now theory). Outros acreditam que Deus existe no presente, porém pode ver no futuro. Neste caso, as ações do homem são a causa do pré-conhecimento de Deus, e não o contrário. Toas as ações do homem são determinadas, mas não necessárias.[3]

6) Agora [inserir a lista de versículos bíblicos] prove que o calvinismo é verdade!

R: Este é um debate tático. Embora isso possa resultar em uma vitória calvinista sobre um argumento, isso não é uma abordagem razoável ou contextual para a leitura e compreensão da Bíblia. Para uma descrição detalhada e engraçada dessa tática, confira em A Metralhadora Hermenêutica, por Martin Glynn.

7) A teologia arminiana não levaria à vanglória, já que o homem contribui para sua salvação?

R: A teologia arminiana é uma teologia inteiramente centrada na graça. Somos salvos pela obra de Jesus Cristo. Por graça mediante a fé. Para ser salvo é necessário crer em Jesus e aceitar o seu sacrifício em seu nome. Visto que Jesus morreu por todos, não temos motivo para nos vangloriarmos. Pelo contrário, estamos motivados a compartilhar o evangelho com todos, para que também possam crer.

Por outro lado, o calvinismo pode facilmente levar a uma atitude arrogante. O calvinismo ensina aos seus adeptos que há duas classes de pessoas: aqueles que irão se salvar e aqueles que não irão se salvar. John Wesley corretamente afirmou:

“Diretamente esta doutrina [calvinismo] tende a destruir vários ramos de santidade. Estes são a mansidão e o amor, ― amor, quero dizer, dos nossos inimigos, ― do mal e ingratidão. Não digo, que ninguém que a confesse tenha mansidão e amor (porque é o poder de Deus, assim é a sua misericórdia), mas que ela naturalmente tende a inspirar, ou a aumentar, uma aspereza ou avidez de temperamento, o que é muito contrário a mansidão de Cristo; como aparece em seguida, quando eles se opõem sobre este assunto. Ela naturalmente inspira desprezo ou frieza para com aqueles a quem supomos estar abandonados por
Deus.”
[4]


Fonte: Society of Evangelical Arminians

Notas:

[1] “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” - ARA
[2] A.W. Tozer, The Sovereignty of God
[3] Veja em Thomas Ralston, Elements of Divinity
[4] John Wesley, Free Grace, Section II

Imprima este artigo em PDF

1 comentários:

Wellington Francisco disse...

Muito bom!

Postar um comentário