terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Adventistas do Sétimo Dia e Arminianos, Cristianismo Evangélico


Por Roger E. Olson

Recentemente eu passei muito tempo com teólogos adventistas do sétimo dia e estudantes. A maioria dos estereótipos que eu tinha sobre eles foram afastadas. Esse processo realmente começou anos atrás, quando segui a jornada de Walter Martin a fim de parar de chamá-los de seita (para desgosto de muitos de seus seguidores). Concordei com ele, então há quase 40 anos. Nesse meio tempo eu comecei a conhecer alguns adventistas, entrevistei alguns dos seus pastores, visitei algumas das suas igrejas e agora, estando junto deles, estou cada vez mais certo que, apesar de algumas diferenças doutrinais do cristianismo "majoritário" (que pode ser um conceito equivocado em nossa era pós-moderna) eles são, em sua maior parte, pelo menos, cristãos evangélicos. E muitos, se não a maioria, se consideram arminianos.

Aqui está um estudo de caso de como ler SOBRE e realmente conhecer e conversar COM as pessoas que podem ter muitos modos diferentes de familiaridade com as crenças. Ao longo dos anos tenho me arriscado a ter encontros face-a-face com adeptos de muitas tradições cristãs diferentes. Ocasionalmente estes encontros serviram apenas para confirmar os meus piores medos. Normalmente, no entanto, eles lançaram luz sobre esses "outros" que eu não poderia encontrar a partir de mera leitura. Há diferença entre sentar em uma igreja ou capela e ouvir as pessoas orando e sentar em torno de uma mesa e ouvir diretamente as pessoas explicarem as suas crenças isso transcende o que a leitura sobre elas pode oferecer.

Não concordo com algumas crenças adventistas, mas estou descobrindo que há uma real diversidade entre eles a respeito de como interpretar algumas dessas crenças evangélicas. E eu estou descobrindo que algumas coisas das quais eu pensava que os adventistas acreditavam (através da leitura sobre eles) não é o que eles acreditam de todo. Então, é claro, há diferença entre o que o adventista não tutorado acredita e o que os estudiosos acreditam. Isso é verdade em cada tradição e denominação. Eu sou batista. Certamente espero que não-batistas não julguem a crença e a prática batista pelo que algum vizinho batista possivelmente ignorante diz sobre a crença batista!

Insto aos críticos de pessoas que afirmam ser cristãs para se assentar com eles, procurando em encontros face-a-face usar uma hermenêutica de caridade e não de desconfiança. Eu cresci pentecostal/full gospel e sabia com certeza, sem qualquer dúvida, que muitos dos nossos críticos evangélicos sabiam pouco ou nada sobre nós e ainda assim falavam como se fossem especialistas em nós. Lembro-me de ter lido um livro sobre "seitas", que incluía a minha tradição e fazia declarações sobre nós que eram totalmente falsas ou que tomaram alguma heresia de um canto da nossa tradição e todos nós fomos culpados por isso. (Por exemplo, eu sei que muitos batistas acham que todos os pentecostais negam a Trindade só porque alguns negam. O que eles não sabem e, geralmente, não se importam de descobrir é que a grande maioria dos pentecostais acreditam na Trindade e não consideram os não-trinitários pentecostais seus irmãos e irmãs em Cristo!)

Neste momento estou lendo um pequeno livro fascinante sobre a história e doutrina adventista intitulado Em Busca de Identidade pelo erudito adventista George R. Knight. Eu desafio todos a ir além dos livros sobre "cultos" e "seitas" e além dos estereótipos e se envolver em uma conversa real com pessoas que dizem que são cristãos e se definem dessa forma. Pode levar algum tempo. Mas se eles são seus vizinhos, amigos, parentes, colegas ou apenas  uma igreja construída na beira da estrada, compete-lhe, por uma questão de honestidade intelectual, se certificar de que você sabe o que tradição deles realmente é e acredita antes de saltar em algum movimento de críticas.

3 comentários:

Sodré disse...
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Sodré disse...
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Sodré disse...

Percebo que o adventismo precisa aceitar uma ampla reforma, e que Deus os ama como ama a todos nós, falhos em outros aspectos .

Talvez o que mais aflige todas as tradições, é não se flexionar ao evangelho em constantes revisões, e no caso, seguir mais a mentalidade e identidade em Ellen White, como porta-voz infalível na interpretação de Cristo e da Bíblia até hoje, do que em Jesus e a Bíblia livre para diversas leituras .

Há uma certa abertura em movimento. As lojas de livros só vendiam denominacionais e recentemente algumas já abriram mais um pouquinho teologicamente .

Resta saber se os pontos necessários para o adventismo se assemelhar mais a igreja primitiva vão ocorrer ou não. Oxalá Deus transforme o adventismo do sétimo dia legalista em adventismo da nova aliança e do novo testamento da ênfase da comunhão do Espírito Santo (o que já ocorre em muitos adventistas mais livres ).

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