sexta-feira, 22 de julho de 2011

Geração Wi-Fi


Geração Wi-Fi



A sociologia tem classificado as recentes gerações conforme o contexto tecnológico em que elas aconteceram. Talvez você já tenha escutado termos como: geração X, geração Y e geração Z, etc. Cada uma dessas gerações imprimiu uma característica bem marcante naqueles que fizeram, ou ainda fazem, parte desse evento. Tal característica cunhada em cada pessoa colaborou para mudanças culturais em determinado tempo, que ao longo de anos, serviu para gerar mais uma geração. Essas mudanças ora contribuíram positivamente para o estabelecimento e conscientização de uma justiça social (e.g Martin Luther King Jr. lutou pela igualdade racial nos EUA) ora para a proliferação do uso indiscriminado de drogas (e.g Timothy Leary disseminou o uso do LSD entre os hippies).


Portanto, uma geração tem a dizer muito sobre o seu povo e sobre o futuro próximo do mesmo. Tudo isso também tem um grande impacto sobre a religiosidade do ser humano. A visão de Deus pode ser construída não mais sobre a rocha da Palavra, mas na areia movediça do entendimento humano decaído. O resultado disso é a união harmônica entre opostos que deveriam estar bem distantes uns dos outros. Não é de se admirar que o sincretismo religioso avançou a passos largos em cada nova geração até o presente momento. Mas então, em qual geração nós estamos? Como podemos determinar esse evento? Quais será o impacto disso para a próxima geração?


Creio que estamos vivendo na “Geração Wi-Fi”, ou seja, estamos vivendo na geração sem fio, sem cabo, sem laços... Uma geração que tem tudo para viver livre, mas em tudo se torna escrava dos meios que a cerca. A liberdade dos meios de comunicação modernos nos trouxe a falsa ideia que podemos “usar” o próximo da mesma forma que os usamos. A praticidade e mobilidade dos hardwares nos fizeram transportar esse universo digital para a realidade dos relacionamentos interpessoais. Os meios nos condicionaram a pensar em termos de um mundo irreal. Consequentemente, a superficialidade dos relacionamentos progride em escala astronômica. Os relacionamentos (e.g amizades, namoros, casamentos...) do mundo dito “moderno”, sendo uma vez conformado pelo que o cerca, perde a sua essência fundamental de ser pessoal e materialmente experimentável. Talvez seja mais fácil manter uma amizade “virtual” onde não há comunicação visível e palpável do que o velho e – me desculpe, agora vou falar um palavrão – TRADICIONAL círculo de amizades empiricamente demonstrável.


Tamanha é a hipocrisia dessa geração que nas redes sociais cada pessoa está cercada com mais de uma centena de amigos, mas tal pessoa sofre por não poder compartilhar de seus sentimentos mais profundos com simplesmente “1” pessoa. Não podemos ser enganados achando que amizades virtualmente descartáveis suprem a nossa carência de estar plugado em outra pessoa real. Certos tipos de arquivos da nossa vida real são tão imensos que os sistemas sem fio não podem transmitir. A vida real exige cabos e conexões complexas, a fim de, fazer o upgrade necessário para espantar a solidão daqueles que tendo muito não têm nada. Na vida real cabos e conexões não são um estorvo ou um empecilho para a liberdade. A real liberdade está na experiência de aprender a ‘‘se virar’’ na dificuldade imposta pelo fato de não sermos digitalizáveis. Ou seja, somos analógicos e temos que conviver com essa limitação. Pessoas reais não podem levar um delete da nossa vida. A simplicidade de teclar uma tecla não reflete a complexibilidade que tal ato exige. Temos que diferenciar as visões desses dois mundos diferentes, assim como as consequências em fazer rodar certos aplicativos mal intencionados em nosso HD.


Deus também não se escapa da teodiceia digital. O relacionamento com Deus está muito distante de ser um relacionamento sem cabos. A nossa principal conexão com Deus está na sua Igreja, que é o seu corpo. Somente na Igreja está disponível um software muito bacana chamado “Jesus 7.7”. Contudo, não basta fazer o seu download e se esquecer das atualizações periódicas que estão agendadas para cada domingo à noite. No final da atualização faça o favor de não ignorar o clique em “confirmar atualização”. O melhor trunfo dessesoftware é que durante o período em que você não está na Igreja, recebendo a atualização, você através de um dinâmico Roteador espiritual pode ainda permanecer em contato direto com Deus. Tal Roteador opera com tecnologia da Holy Spirit Corporation, a última tecnologia disponível em toda eternidade, capaz de te conectar simultaneamente com o Divino Administrador e com todos os outros usuários do software “Jesus 7.7”. O Roteador também é chamado de Encaminhador, por isso trate-o com carinho para que Ele encaminhe as tuas orações ao Administrador e aos outros usuários o mais rápido possível. Uma dica muito útil para o pleno funcionamento do Roteador é entregar toda a tua vida aos seus cuidados! Isso garante que não haverá perca de dados no meio da rota escolhida por Ele.


Já ia me esquecendo de falar sobre a disponibilidade do “Jesus 7.7”. Ele só pode ser encontrado onde a Palavra de Deus é pregada, mas não há motivo para pânico você ainda pode ter o seu. Basta procurá-Lo que você vai achá-Lo. Sobre os custos para a aquisição desse incrível software, fique tranquilo, pois Ele nos veio como Open Source. Portanto, a sua distribuição é livre; o seu código fonte é legível e inteligível; e a sua licença não faz acepção de pessoas.


Cuidado! Há uma empresa inimiga de nome Hell que está empenhada em conquistar o mercado do “Jesus 7.7”. Por isso, antes mesmo do lançamento do “Jesus 7.7” a empresa Hell colocou no mercado um software mal intencionado, chamado “Best 6.6.6”, repleto de vírus. Caso você tenha feito o download desse software, saiba que o “Jesus 7.7” tem o poderoso antivírus Holy Spirit’s Fruit: against Carnality . Para cada vírus há um antivírus correspondente. Vou lhe explicar melhor caro leitor. Se o “Best 6.6.6” conseguiu infectar o seu HD com o vírus da idolatria, por exemplo, então entrará em operação o poderoso antídoto da fidelidade. Você talvez necessite fazer uma formatação em algumas partes muito danificadas do seu HD. Pensando nisso, o “Jesus 7.7” irá utilizar duas ferramentas para formatá-lo. Uma dessas ferramentas é a regeneração, capaz de localizar as áreas que foram excluídas e recriá-las para o bom funcionamento do sistema como o era desde o princípio. A outra é a restauração, capaz de restaurar as partes corrompidas pelo “Best 6.6.6”.


A “Geração Wi-Fi” preocupa-se em demasia com as conexões do seu sistema, mas se esquece que, é do seu HD, de onde saem os plug-ins da vida. Veja só, caso o HD estiver corrompido, todo o hardware será prejudicado, e consequentemente você terá que desembolsar uma quantia considerável para recuperá-lo. Todavia, a realidade não permite tamanha operação em nosso sistema analógico corporal. Nesse caso, as condições financeiras não terão como auxiliar, pois o problema é tão profundo que somente um único Especialista tem poder para socorrer você. Este Especialista veio para restaurar os HD’s corrompidos! Veio para estabelecer uma Nova Conexão entre você e o Divino Administrador! Veio para otimizar o fluxo de dados que fazem o seu modem travar a toda hora! Veio para mudar a “Lista de Reprodução” do seu Media Player! Veio para personalizar a sua “Área de Trabalho”. Então, imagine o que Ele pode fazer em seus “CONTATOS.” !!!!!


Jesus Cristo é o Especialista! Ele quer revelar a “Geração Wi-Fi”, se ela Lhe permitir, atalhos seguros para um relacionamento bem intencionado com o “usuário” alheio. Relacionamento estabelecido num HD curado pela graça [imerecida/recebida]. Pois do bom HD saem os bons arquivos, e do mau HD saem os maus arquivos. Quem não conheceu conexão, habitará entre os portais. Aquele que tem internet discada, herdará uma banda larga. Como podeis ver, muitas promessas estão disponíveis aos “usuários” da presente geração. Porém, o que separa a “Geração Wi-Fi” de tamanhas bênçãos é apenas um simples "add" em Jesus. Uma vez adicionado em “Contatos” Ele multiplicará cem vezes mais a lista de amigos, de grupos e de favoritos.




Luís Henrique S. Silva

Acadêmico em Teologia - ULBRA


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