quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A Teologia Arminiana é Sinergista?


A Teologia Arminiana é Sinergista?


Por kangaroodort

Para algumas pessoas o debate entre arminianismo e calvinismo se resume em saber se a salvação é monergista ou sinergista. Acredito que o termo “sinergismo” nem sempre é corretamente aplicado a posição arminiana. A palavra vem do grego synergos, que basicamente significa “trabalhar junto”. Enquanto monergismo (trabalhar sozinho) pode ser um rótulo aceitável ao que os calvinistas acreditam (Deus faz toda a obra da salvação), sinergismo nem sempre faz jus ao que arminianos historicamente acreditam.

A palavra em si, quando tomada num estrito sentido gramatical, não é a melhor descrição do que arminianos acreditam em relação a salvação. Arminianos não acreditam que tanto Deus quanto o homem “trabalham” juntos na salvação. Acreditamos que somos salvos “de fé em fé até o fim” (Rm 1.17). Visto que a fé é antitética as obras (Rm 3.20-28; 4.2-5; 9.32; 10.5,6; Gl 2.16; 3.2,5; Ef 2.8,9; Fp 3.9) torna-se um equívoco rotular a soteriologia arminiana como sinergista no sentido estrito da palavra.

A teologia arminiana, quando corretamente entendida, ensina que a salvação é monergista. Deus somente opera a salvação. Deus somente regenera a alma que está morta no pecado. Deus somente perdoa e justifica com base nos méritos do sangue de Cristo. Deus somente nos torna santos e justos. Em todas estas formas a salvação é inteiramente monergista. A diferença entre calvinismo e arminianismo é que se a obra salvífica de Deus é condicional ou incondicional. Arminianos acreditam que Deus não nos salvará até atendermos a condição da fé. A fé somente pode ser entendida como sinergista no sentido que Deus graciosamente nos capacita a crer, porém somos os únicos que decidimos se vamos ou não crer.

F. Leroy Forlines colocou bem isto quando disse:

“Creio que a fé salvífica é um dom de Deus no sentido que o Espírito Santo dá a capacitação divina sem a qual a fé seria impossível (Jo 6.44). A diferença entre o conceito calvinista de fé e o meu conceito não é que a deles é monergista e a minha sinergista. Em ambos os casos ela é sinergista. A participação ativa na fé pelo crente significa que ela é sinergista. A responsabilidade humana não pode ser descartada da fé. A justificação e a regeneração são monergistas. Cada uma é um ato de Deus, não do homem. A fé é um ato humano através da capacitação divina e, por isso, não pode ser monergista. (The Quest For Truth, pg 160, ênfases dele)

Se a fé fosse monergista, então, não seria a pessoa que creria, mas Deus creria para a pessoa. A fé é a genuína resposta ao chamado de Deus e o meio pelo qual acessamos a sua graça salvífica (Rm 5.1-2). Continua a ser a graça que salva, mas essa graça deve ser recebida pela fé, e a natureza desta fé é tal que ela jamais poderá ser chamada de uma “obra”.

Isto quer dizer que o homem é quem determina a salvação e não Deus? Com certeza não. Deus determinou que aqueles que crerem em seu Filho deveriam ser salvos, e esta determinação é absoluta e imutável (Jo 3.16-17,36). Simplesmente determinamos se ou não atenderemos a ordenação divina da fé. Calvinistas tendem a contestar que a fé, quando entendida no contexto da teologia arminiana, é realmente uma “obra”.





Imprima este artigo em PDF

6 comentários:

Alexandre Siqueira da Luz disse...

Excelente artigo!

KLeber disse...

Ora, se a Fé é implantada no homem por Deus, é lógico que ela produzirá obras. Não para a salvação, mas por que se é salvo.
A Fé dada implantada por Deus passará a agir no homem não como produto do homem, mas como objetivo divino para a Glória de Deus, no homem.
Desta forma, conclui-se que a salvação e monergista e o sinergismo, opera sim como consequência e não como causa primária.

Personaret disse...

Olá Kléber!

O arminianismo sempre ensinou que o sinergismo é consequência da ação monergista da graça preveniente. Armínio usou várias expressões para explicar isso, mas uma das que eu acho melhor é quando ele fala da graça operante e graça cooperante. A graça operante é monergista, também chamada de graça preveniente e a graça cooperante é a graça consequente a qual é sinergista.

Guilherme Cancella disse...

Excelente!

Lucas Thiago disse...

Muito bom esse artigo, que Deus abençoe vocês!

Ricardo Villas Bôas disse...

Meu caro amigo Luiz Parabens pela pena afiada, dentro deste importante assunto em nossa teologia. Esplêndido!!!

Postar um comentário