quarta-feira, 26 de maio de 2010

“Célula sintética”: vendendo gato por lebre


A verdade sobre a experiência de Craig Venter e o porquê da precipitação da mídia em atribuir a ela o status equivocado de "criação da vida"


Em 20 de maio, o geneticista norte-americano J. Craig Venter anunciou nos Estados Unidos que criou vida artificial em seu próprio laboratório. A notícia ganhou logo destaque em todos os principais jornais do mundo, que começaram a dizer as bobagens de sempre diante de anúncios desse tipo: (1) os seres humanos estão conseguindo “imitar” Deus e (2) tais avanços “desafiam” o que a Bíblia diz sobre a origem da vida. Nada mais falso. Tais afirmações revelam apenas o desejo que os jornalistas e formadores de opinião da mídia ocidental hodierna têm de que isso realmente aconteça algum dia. Afinal, a maioria dessa gente vive em guerra constante contra a cosmovisão cristã. Por isso, qualquer coisa que os devotos do naturalismo possam usar, mesmo que distorcidamente, para tentar atingi-la, será usado. A “célula sintética”, como foi batizada, é só mais uma tentativa, e outra vez vã.

Para começar, não houve nenhuma criação de vida no laboratório do senhor Venter. Trata-se de uma constatação óbvia diante dos fatos apresentados sobre a experiência, constatação esta que muitos cientistas renomados, avessos à religião e especialistas na área genética, não deixaram de destacar – aliás, como não poderia deixar de ser, para quem resolve analisar os fatos honestamente. Só alguns cientistas ávidos para “destituir” Deus preferem ir às favas com a lógica, dizendo mais do que os fatos dizem, como é o caso de Arthur Caplan, professor de Bioética da Universidade da Pensilvânia. Para delírio dos sensacionalistas anti-Deus, o homem chegou a dizer, em artigo para a revista Nature, que a experiência de Venter mostraria que agora, finalmente, o homem poderia, como Deus, “criar a vida”.

Já o geneticista Sérgio Danilo Penna, em artigo publicado no jornal britânico The Independent, foi sincero e aproveitou, como outros colegas em outras publicações, para explicar aos incautos o que realmente aconteceu no laboratório do senhor Venter: “Ele não criou vida artificial. Não houve criação de vida. Ainda falta muito para isso. Venter simplesmente trocou o genoma de uma célula viva por um genoma artificial. A vida é uma propriedade da célula e não do genoma”. Ou seja, a experiência de Venter, muito diferentemente de “criação”, foi na verdade um transplante genômico, uma adulteração do que já havia e com material que também já existia. Isso não é e nunca foi criação de vida. É mimetismo: uma imitação feita com e sobre algo que já existe. É mera manipulação da vida que já existe. Como reconheceu até mesmo a revista The Economist (que publica vários artigos anti-cosmovisão cristã), em sua edição de 20 de maio, “a melhor palavra” para descrever a experiência “não é ‘criação’, mas ‘adulteração’”.

Jim Collins, professor de Engenharia Biomédica da Universidade de Boston, em artigo na mesma revista Nature, ressaltou: “Francamente, os cientistas não sabem o suficiente sobre Biologia para criar vida. Embora o Projeto do Genoma Humano tenha expandido a lista de peças para as células, não há manual de instrução para reuni-las para produzir uma célula viva. É como tentar montar um avião jumbo operacional a partir de sua lista de peças – impossível. Embora alguns de nós na biologia sintética possam ter delírios de grandeza, nossos objetivos são muito mais modestos”. George Church, geneticista da Faculdade de Medicina de Harvard, admitiu o mesmo à revista e enfatizou a ilogicidade de quem divulgou a coisa como sendo “criação de vida”: “Imprimir uma cópia de um texto escrito em uma língua desconhecida não significa compreendê-la”.

Martin Fussenegger, professor de Bioengenharia Biotecnologia da Universidade ETH de Zurique, Suíça, também enfatizou o óbvio: que a experiência de Venter é importante, mas não mexeu em nada nos limites da natureza, como milhares de jornalistas do mundo “trombetearam” ignorantemente nas primeiras horas pós-anúncio.

A geneticista brasileira Mayana Zatz, articulista da revista Veja, e que não tem nada de religiosa, foi igualmente direta: “Foi uma bela e importante obra de engenharia genética, mas não se criou vida. A equipe de cientistas utilizou vidas existentes, tanto de bactérias como de leveduras, para conseguir esse feito. É importante deixar isso muito claro. O que os pesquisadores fizeram foi transformar uma vida em outra – no caso, uma bactéria Mycoplasma capricolum em outra, a Mycoplasma mycoides”.

Enfim, o que muitos colegas da imprensa fizeram na semana passada foi, consciente ou inconscientemente, ignorantemente ou não, “venderem gato por lebre”. E o que os levou a isso, a precipitarem-se em dizer algo tão improvável sem analisar os fatos? A tola e doentia vontade incontida em seus corações de quererem ver a criatura no lugar do Criador. Como sempre, debalde. Mas, quem disse que mais um tiro no pé vai impedi-los de continuar tentando? Esse é o espírito desta época (Rm 1.25).

"Eles trocam a verdade sobre Deus pela mentira e adoram e servem as coisas que Deus criou, em vez de adorarem e servirem o próprio Criador, que deve ser louvado para sempre. Amém!" NTLH


Fonte: CPAD News



Veja o vídeo sobre o feito

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