domingo, 30 de maio de 2010

Vale do Jordão – berço de civilizações?


Zawya

AMÃ - Achados arqueológicos no norte do vale do Jordão estão obrigando os especialistas a repensar os padrões das primeiras civilizações.

Em Tabqat Fahel, 90 quilômetros ao norte de Amã, recentes descobertas indicam que o antigo sítio de Pella, o qual abrange desde os tempos pré-históricos até a era mameluca, pode ter sido uma parte do berço das civilizações.

Ao longo das últimas cinco temporadas, as equipes da Universidade de Sydney têm-se concentrado no início do período da Idade do Bronze, 3600 A.C - 2800 A.C, quando os seres humanos passaram de pequenas aldeias para cidades grandes e a comunidades urbanas.

Quando as equipes da Austrália e da Jordânia começaram a explorar a primeira
urbanização no Vale do Jordão, muitos esperavam que isso ocorreria posteriormente e que elas seriam influenciadas pelas civilizações florescentes ao leste e oeste.

Achados de um muro de cidade e outras estruturas, que datam de 3400 A.C e anteriores à 3600 A.C, mostram que Pella era um formidável cidade-estado ao mesmo tempo em que o Iraque sumério estava tomando forma.

Embora atualmente os especialistas voltam-se a Mesopotâmia e Egito quando se discute os primeiros centros da civilização antiga, no norte do Vale do Jordão também se deve ser dada uma menção, de acordo com Stephen Bourke, professor da Universidade de Sydney e líder do projeto Pella.

"Nós encontramos coisas tão antigas, se não mais antigas do que a Mesopotâmia e muito mais antigas do que o antigo Egito", disse ele.

Com a descoberta de uma fortificação no alto de uma colina e muros de uma grande cidade próxima a Tal Husn, os especialistas acreditam que o sítio de Pella era uma cidade formidável em torno de 3200-3400 A.C, 500 anos antes do esperado para a área.

"Estes não são apenas os sinais de uma pequena cidade, isto é uma massiva mega-cidade", disse Bourke.

Achados de cobre em Pella, originários da Anatólia e Chipre, também indicam significativo desenvolvimento econômico, social e político em um momento tão antigo quanto a Mesopotâmia e anteriores ao reinado dos faraós egípcios, disse Bourke.

A descoberta do cobre cipriota ainda levou os especialistas a acreditarem que o antigo Chipre começou a exportar cobre em 2500 A.C, 300 anos antes do que se pensava.

Segundo os achados, Pella na Idade do Bronze cresceu paralelamente com as poderosas civilizações da Mesopotâmia e Egito, ao invés de ser influenciada por seus vizinhos.

As semelhanças, no entanto, acabam em 2800 A.C, quando a civilização abruptamente parou na antiga Pell.

"O faraônico Egito e a Mesopotâmia desenvolveram-se em impérios massivos - e porque o Vale do Jordão não poderia seguir o exemplo?" observou Bourke, acrescentando que as futuras pesquisas, a partir de 2011, vão tentar responder a essa pergunta.

Bourke teorizou que um terremoto devastador combinado com as alterações climáticas podem ter contribuído para a desaceleração do desenvolvimento no Vale do Jordão, enquanto o Egito, ao lado, acelerou na terceira dinastia.

Também como parte das escavações futuro em Pella, equipes da Austrália e da Jordânia tentaram localizar um indescritível palácio da Idade do Bronze, a estrutura deveria ser semelhante aos palácios construídos a oeste do rio Jordão durante o período.

Alguns ainda têm esperança de que o palácio pode conceber um dos sonhos iniciais do projeto de Pella, quando foi estabelecido há 30 anos: Uma biblioteca de antigos tabletes de barro.

"Os resultados iniciais indicam que o palácio remonta provavelmente a cerca de 1400 A.C, o que seria o período correto do texto e das bibliotecas na área", disse Bourke.

Outro "Santo Graal" para o antigo sítio é os remanescentes da época de Alexandre, o Grande. Pella, que é nomeada após sua cidade natal na Macedônia, tem sido grandemente associada com Alexandre.

"Com um nome como Pella, sabíamos que havia uma conexão helenística no sítio", disse ele.

Embora os achados helenísticos terem sidos poucos e espaçados ao longo das últimas três décadas, as equipes no ano passado descobriram um esconderijo de moedas e cerâmica na encosta oeste de Husn indicando que o domínio ptolemaico no Egito pode ter alargado até Pella ocidental.

"Pella provavelmente teria estado na beira da linha efetiva de controlo no terceiro
século, e esta fortificação foi provavelmente estabelecida em uma colonização anterior - uma colonização macedônica - na zona oeste de Tel Husn", disse Bourke.

"Realmente ainda não temos encontrado a Pella helenística - ela está lá em algum lugar. Não estamos à espera de encontrar a nossa brilhante glória, mas uma visão sobre o período no Vale do Jordão", acrescentou.


Fonte: Zawya

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