terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Calvinistas que se tornaram arminianos em Dort



Um dos fatos fascinantes da história é a "conversão" ao arminianismo de alguns dos calvinistas que participaram do processo no Sínodo de Dort. Abaixo está o relato de três calvinistas, dois quais mudaram de opinião durante o processo real, e um que já tinha mudado seu parecer anteriormente.


John Hales (1584-1656): Hales foi um teólogo inglês. Era um homem calmo e gentil. Ele era bem instruído, tinha uma excelente memória, e é relatado como tendo um "conhecimento exato da língua grega".1 Por algum tempo ele foi professor no colégio de Eton, onde ensinou grego. Ele foi carinhosamente chamado de "O Sempre Memorável Hales". Durante o processo em Dort, Hales era um capelão do Sir Dudley Carlton, o embaixador inglês na Holanda. Ele compareceu à Dort, a pedido de Sir Carlton. Durante Dort, Hales é descrito como tendo "oferecido boa noite à João Calvino".2 Ele ficou convencido dos méritos do arminianismo ouvindo a defesa de Simon Episcopius da Expiação Ilimitada e exposição de João 3:16.


Thomas Goad (1576-1638): Goad foi um clérigo inglês. Gostava de poesia e foi conhecido por sua habilidade em verso. Foi capelão de George Abbot, arcebispo de Cantuária. Ele foi pároco em vários locais, e também foi chantre (líder da música) na catedral de Saint Paul. Goad foi enviado à Dort pelo Rei James, a pedido do Abade. Goad foi a Dort como um calvinista, mas como Hales, ele foi convencido pelo arminianismo durante o curso do Sínodo. Ele mudou de lado e começou a defender os arminianos. Como resultado, ele perdeu muito prestígio entre seus colegas, e seu nome foi omitido (talvez acidentalmente) dos atos do Sínodo. Após o sínodo, Goad retornou à sua capelania.3


Daniel Tilenus (1563-1633): Tilenus era um huguenote francês (calvinista). Foi professor no Colégio Presbiteriano de Sedan. Foi um calvinista firme, mas já tinha abraçado os Remonstrances pelo tempo de Dort. Arriscando a sua posição em Sedan, Tilenus criticou fortemente o comportamento dos calvinistas em Dort, afirmando que eles tratavam seus irmãos arminianos de acordo com "os métodos dos turcos"4. Como resultado do apoio e identificação com os arminianos, Tilenus foi destituído de sua cátedra em Sedan. Ele se mudou para a Inglaterra, a pedido do Rei James, e se tornou um competente defensor de teologia arminiana.5



(1) The 1917 Harvard Theological Review, Volume 10 Pequena biografia sobre a vida de John Hales.

(2) The Life of John Goodwin por Thomas Jackson, 1872, página 441

(3) Dictionary of National Biography (British) 1885-1900, a entrada do Thomas Goad

(4) Correntes religiosas e correntes cruzadas: ensaios sobre o início do protestantismo moderno, 1999, página 9

(5) Memórias de Simão Episcopius, De Frederick Calder, 1838, página 456


Fonte: Wesleyan Arminian

6 comentários:

perspectivasarminianas disse...

Engraçado que isso os calvinistas não divulgam! se divulgam os consideram como heréticos. Obrigado por postar. Abraço e parabens pelo blog. Os temas são pertinentes e interessantes.

pca disse...

É realmente interessante saber que um sistema que foi condenado em Dort ainda assim conseguiu algumas "conversões". Graças a Deus que sempre há pessoas que rejeitam a honra dos homens e se submetem à perseguição ao invés de estar do lado dos perseguidores.

Parabéns pelo site. Paulo Cesar (Arminianismo.com)

Personaret disse...

Obrigado irmãos pelos comentários!

O que eu acho mais interessante na história do sínodo de Dort é que realmente os nossos "irmãos calvinistas" não quiseram entender o arminianismo e conseguiram criar posteriormente uma imagem falsa e ilusória da doutrina arminiana.

Mas Deus sempre tem consigo os seus sete mil que não se prostam! kkkkk

PAZ em Cristo!

Pedro Neves do Rego disse...

O que são "métodos turcos"

Pedro Neves do Rego disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Personaret disse...

Olá Pedro Neves!

O "método dos turcos" se refere a como os islâmicos tratavam as suas diferenças teológicas. Isto é, se refere a falta de tolerância que os calvinistas tiveram para com os arminianos.

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