domingo, 14 de março de 2010

Um resumo conciso da visão corporativa da eleição e predestinação

Um Resumo Conciso da Visão Corporativa de Eleição e Predestinação


Aqui está um excelente resumo conciso das doutrinas da eleição e predestinação condicional a partir da perspectiva de eleição corporativa, que difere da tradicional visão arminiana de eleição individual baseada na fé prevista. Tanto a visão tradicional quanto a visão corporativa de eleição são permitidas na SEA, pois ambos concebem a eleição e predestinação como condicionais à fé em Cristo. Este material vem da NIV Life in the Spirit Study Bible da Zondervan. A descrição das doutrinas da eleição e predestinação é seguida por alguns comentários citados das notas da “Bíblia de Estudo” em 1Pe 1.2 e Rm 8.29 para mostrar como a perspectiva de eleição corporativa pode tomar o lugar da presciência na eleição, também muito diferente da tradicional visão arminiana, embora totalmente consonante com a teologia arminiana, figurando-se dentro de uma visão condicional da eleição e predestinação.


Eleição


A escolha Divina daqueles que creem em Cristo é um importante ensinamento do apóstolo Paulo (veja Rm 8.29-33, 9.6-26, 11.5, 7, 28; Cl 3.12; 1Ts 1.4; 2Ts 2.13 e Tt 1.1). Eleição (ἐκλογή - gr. ekloge) refere-se à escolha de Deus em Cristo de um povo a quem ele destina a ser santo e irrepreensível aos seus olhos (cf. 2Ts 2.13). Paulo vê essa eleição como a expressão da iniciativa de Deus, como o Deus de amor infinito, em nos dar como criação finita todas as bênçãos espirituais através da obra redentora do seu Filho (1.3-5). O ensinamento de Paulo sobre a eleição envolve as seguintes verdades:

(1) A eleição é cristocêntrica, ou seja, a eleição ocorre somente em união com Jesus Cristo; "nos escolheu nele" (Ef 1.4; veja 1.1, nota). O próprio Jesus é o primeiro de todos os eleitos de Deus. Concernente a Jesus, Deus declara: "Eis aqui o meu servo, que escolhi" (Mt 12.18; cf. Is 42.1, 6 e 1Pe 2.4). Cristo, como o eleito, é o fundamento da nossa eleição. Somente em união com Cristo nos tornamos membros do eleito (Ef 1.4, 6-7, 9-10, 12-13). Ninguém é eleito à parte da união com Cristo através da fé.

(2) A eleição é "nele... por meio do seu sangue" (NVI - Ef 1.7). Deus propôs antes da criação (Ef 1.4) formar um povo através da morte redentora de Cristo na cruz. Assim, a eleição é fundamentada na morte sacrificial de Cristo para nos salvar dos nossos pecados (At 20.28 e Rm 3.24-26).

(3) A eleição em Cristo é principalmente corporativa, ou seja, eleição de um povo (Ef 1.4-5, 7 e 9). Os eleitos são chamados de “corpo de Cristo" (4.12), "a minha igreja" (Mt 16.18), "povo de propriedade exclusiva de Deus" (1Pe 2.9), e de “noiva” de Cristo (Ap 19.7). Portanto, a eleição é corporativa e abrange somente indivíduos que se identificam e se associam com o corpo de Cristo, a verdadeira igreja (Ef 1.22-23; veja Robert Shank, Elect in the Son, [Minneapolis: Bethany House Publishers]). Isto já era verdade no Israel do Antigo Testamento (cf. Dt 29.18-21, nota; 2Rs 21.14, nota; veja o artigo sobre a Aliança de Deus com os Israelitas, 298p.).

(4) A eleição para a salvação e a santidade do corpo de Cristo é sempre certa. Mas a certeza da eleição dos indivíduos permanece condicional à sua fé viva e pessoal em Jesus Cristo e perseverança na união com ele. Paulo demonstra isso da seguinte maneira: (a) O propósito eterno de Deus para a igreja é que sejamos "santos e irrepreensíveis perante ele" (Ef 1.4). Isto se refere tanto ao perdão dos pecados (1.7) quanto à pureza da igreja como a noiva de Cristo. A eleição do povo de Deus está sendo conduzida pelo Espírito Santo em direção à santificação e santidade (veja Rm 8.14; Gl 5.16-25). O apóstolo enfatiza repetidamente esse propósito primordial de Deus (veja Ef 2.10, 3.14-19, 4.1-3, 13-24, 5.1-18). (b) O cumprimento desse propósito para o corpo da igreja é certo: Cristo irá “apresentar a si mesmo igreja gloriosa,... santa e sem defeito." (Ef 5.27). (c) O cumprimento desse propósito para as pessoas na igreja é condicional. Cristo nos apresentará "santos e irrepreensíveis perante ele" (Ef 1.4) somente se continuarmos na fé. Paulo afirma isso claramente: Cristo irá "apresentar-vos perante ele santos... se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho..." (Cl 1.22-23).

(5) A eleição para a salvação em Cristo é oferecida a todos (Jo 3.16-17; 1Tm 2.4-6, Tt 2.11 e Hb 2.9), mas torna-se atual para um contingente particular de pessoas no seu arrependimento quando aceitaram o dom divino da salvação em Cristo (Ef 2.8, 3.17; cf. At 20.21; Rm 1.16 e 4.16). No ponto de fé, o crente é incorporado no corpo eleito de Cristo (a igreja) pelo Espírito Santo (1Co 12.13), tornando-se um dos eleitos. Assim, há tanto a iniciativa de Deus quanto nossa resposta na eleição (veja Rm 8:29, nota; 2Pe 1.1-11).


Predestinação


Predestinação (προορίζω - gr. proorizo) significa "decidir de antemão" e se aplica aos propósitos de Deus compreendidos na eleição. A eleição é escolha de Deus "em Cristo" de um povo (a verdadeira igreja) para si. A predestinação compreende o que acontecerá com o povo de Deus (todos os crentes genuínos em Cristo).

(1) Deus predestina o seu eleito a ser: (a) chamado (Rm 8.30); (b) justificado (Rm 3.24, 8.30); (c) glorificado (Rm 8.30); (d) conforme a imagem do seu Filho (Rm 8.29); (e) santo e irrepreensível (Ef 1.4); (f) adotado como filhos de Deus (1.5); (g) redimido (1.7); (h) beneficiário de uma herança (1.14); (i) para o louvor de sua glória (Ef 1.2; 1Pe 2.9); (j) receptor do Espírito Santo (Ef 1.13; Gl 3.14) e (k) criado para as boas obras (Ef 2.10).

(2) Predestinação, assim como a eleição, refere-se ao corpo de Cristo (isto é, a verdadeira igreja espiritual), e compreende somente indivíduos em associação com esse corpo através de uma fé viva em Jesus Cristo (Ef 1.5, 7, 13; cf. At 2.38-41 e 16.31).


Resumo


Concernente à eleição e predestinação, podemos usar a analogia de um grande navio no seu caminho para o céu. O navio (a igreja) é escolhido por Deus para ser sua própria embarcação. Cristo é o Capitão e o Piloto desse navio. Todos os que desejam ser uma parte deste navio eleito e do seu Capitão, pode fazê-lo através de uma fé viva em Cristo, pela qual eles vêm a bordo no navio. Enquanto eles estão no navio, em companhia do Comandante do navio, estão entre os eleitos. Se eles escolherem abandonar o navio e o Capitão, eles deixam de fazer parte dos eleitos. A eleição sempre está em união com o Capitão e o seu navio. A predestinação nos diz sobre o destino do navio e o que Deus tem preparado para aqueles que permanecem nele. Deus convida a todos para entrar a bordo do navio eleito mediante a fé em Jesus Cristo. [Life in the Spirit Study Bible, 1854-1855pp.]


Life in the Spirit Study Bible nota sobre 1Pe 1.2


A presciência de Deus: Somos "escolhidos" para ser o povo de Deus de acordo com sua presciência, ou seja, de acordo com o conhecimento exaustivo do seu plano de redenção em Cristo para a igreja, mesmo antes da criação e da história humana ter começado (veja Rm 8.29 nota). Presciência é praticamente um sinônimo da soberania de Deus e do previdente propósito de redimir conforme o seu eterno amor. Os "escolhidos" são a companhia dos verdadeiros crentes, escolhidos em harmonia com o plano determinado de Deus para redimir a igreja pelo sangue de Jesus Cristo através da obra santificadora do Espírito Santo (veja o artigo sobre a Eleição e Predestinação, 1845p.). Todos os crentes devem participar em sua eleição pela sua resposta de fé e por estarem ansiosos em confirmar o seu chamado e eleição (veja 2Pe 1.5 e 10, nota).


Life in the Spirit Study Bible nota sobre Rm 8.29


Aqueles que Deus conheceu: "Conheceu" neste versículo é equivalente a "pré-amado" e é usado no sentido de "definir a relação amorosa", "escolher a amar desde a eternidade" (cf. Ex 2.25; Sl 1.6; Os 13.5; Mt 7.23; 1Co 8.3; Gl 4.9; 1Jo 3.1).

(1) Presciência significa que Deus propôs desde a eternidade amar e resgatar a raça humana por meio de Cristo (1Jo 5.8; Jo 3:16). O receptor da presciência de Deus ou o pré-amor é indicado no plural e se refere à igreja. Isto é, o pré-amor de Deus é primariamente do corpo de Cristo (Ef 1.4, 2.4 e 1Jo 4.19) e inclui apenas os indivíduos que se identificam com esta corporação mediante a permanente fé e união com Cristo (Jo 15.1-6; veja o artigo sobre a Eleição e Predestinação, 1854p.)

(2) O corporativo corpo de Cristo alcançará a glorificação (v. 30). Crentes individuais cairão da glorificação se separarem-se do pré-amado corpo e se não conseguirem manter sua fé em Cristo (vv. 12-14, 17 e Cl 1.21-23).

Fim da Bíblia de Estudo

Outra interpretação corporativa da presciência em relação à eleição além dessas mencionadas pela “Bíblia de Estudo” é aquela que se refere ao reconhecimento prévio do povo corporativo de Deus como o seu parceiro de aliança (veja Brian Abasciano, "Clearing Up Misconceptions about Corporate Election", Ashland Theological Journal 41 [2009] 67-102).

Correndo o risco de excessiva simplificação, todas estas visões de presciência corporativa na eleição podem ser resumidas dizendo que na visão de eleição corporativa, a eleição de acordo com a presciência se refere à eleição baseada na eleição prévia de Cristo e do povo corporativo de Deus nele.

Para mais informações sobre a eleição corporativa, veja esses itens em nosso site:

A. Philip Brown, II, "ELECTION IN THE OLD TESTAMENT"



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